sábado, 18 de janeiro de 2014

19 janeiro 2014 – 2º Domingo do Tempo Comum – (Jo 1, 29-34)

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”

Evangelho: (Jo 1, 29-34)

No dia seguinte, João viu Jesus aproximar-se e disse: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É este de quem eu disse: depois de mim vem alguém que passou adiante de mim, porque existia antes de mim. Eu não o conhecia, mas se vim batizar com água, é para que ele se torne conhecido em Israel”. E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer do céu em forma de pomba e permanecer sobre ele. Eu não o conhecia, mas quem me enviou para batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires descer o Espírito e permanecer, esse é que batiza no Espírito Santo’. Eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus”.
COMENTÁRIO
No Evangelho de hoje João nos apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. De fato, Jesus muito se assemelha ao cordeiro.
O cordeiro é a própria imagem de candura e mansidão. No templo, os judeus sacrificavam um cordeiro e o ofereciam a Deus como forma de purificação de seus pecados.
No Egito, quando os israelitas foram libertos da escravidão, todas as famílias tinham sacrificado um cordeiro e, com seu sangue, marcaram suas portas. Os marcados com o sangue do cordeiro foram salvos do extermínio.
Jesus manso e humilde é o cordeiro imolado e sacrificado. Ao apresentar Jesus como Cordeiro, João confirma que Jesus veio para dar a sua vida. Como o cordeiro imolado no Egito, o Sangue de Jesus livra a humanidade do extermínio, liberta os homens do pecado e de todo mal que leva à morte.
Ao comparar Jesus ao cordeiro, João usou o comparativo que, muito antes, o Profeta Isaías já havia utilizado. Ao anunciar a vinda do Messias, Isaias o denominou de Cordeiro (Is 53,7). Isaías compara o Messias a um manso cordeiro que, ao ser levado para o matadouro, suporta tudo calado, sem abrir a boca, como a ovelha que não se rebela diante do tosquiador.
Os judeus acreditavam que o Messias seria um poderoso rei, com um grande exército de homens armados, capaz de destruir o inimigo e libertar seu povo do poder dos romanos. No entanto, ao proclamar Jesus como cordeiro, João afirma que Jesus é bem diferente daquilo que imaginavam.
Esse rei é poderoso sim, porém não impõe sua autoridade e tem no amor sua única arma. Em parte estavam certos aqueles que esperavam a vinda de um Messias destruidor, pois Jesus destruiu o maior inimigo da humanidade. Jesus destruiu, eliminou para sempre a morte. Após a vinda de Jesus, só morre quem se afasta do Cordeiro.
Jesus leva até o fim o Projeto de Salvação do Pai. Com seu sacrifício na cruz, torna-se o verdadeiro Cordeiro Pascal que entrega seu Corpo e sua própria vida. O Sangue do Cordeiro é a marca que preserva a vida, seu sacrifício traz luz, salvação e paz para a humanidade.
É importante notar que neste evangelho João Batista, o Precursor, aquele que passou toda a sua vida jejuando, orando, batizando, preparando o povo e aplainando caminhos para a chegada do Messias, por duas vezes diz que não conhecia Jesus. Agora, porém, seus olhos se abrem e fala com convicção que ali está o Filho de Deus, aquele que batiza com o Espírito Santo.
A sinceridade de João deve servir para nossa reflexão de hoje. É impossível testemunhar Jesus sem conhecê-lo. O evangelizador que não conhece Jesus acha que Ele está preocupado com as aparências, com o tamanho da sala de catequese, com a qualidade da mesa de som, dos instrumentos musicais e com aquele mundo de supérfluos considerados “indispensáveis” para celebrar a Ceia Eucarística e para evangelizar.
Humildade e mansidão são as marcas do Cordeiro. Essa humildade tem que estar presente em todos os locais, principalmente na comunidade da Igreja. Quem quiser colaborar para tirar o pecado do mundo, deve abrir os olhos para reconhecer Jesus, renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Saber do Catequista: preparar-se para servir

O Diretório Nacional de Catequese (DNC) cita estas palavras do DGC quando fala da importância da formação inicial e permanente de catequistas, tendo em vista o exercício de sua missão (ver DNC, nº 252). 

A formação de catequistas é um instrumento valioso na preparação de pessoas para o ministério catequético, pois lhes dá segurança no anúncio do Evangelho. Além disso, o/a catequista cresce e se realiza como pessoa, assumindo sua missão com alegria e satisfação. A qualidade de sua ação pastoral também é aprimorada, dinamizando suas atividades. 

É por isso que muitas/os catequistas estão participando das Escolas Bíblico-Catequéticas regionais, diocesanas e paroquiais. Também temos cursos de pós-graduação na área catequética em algumas partes de nosso país, onde várias pessoas aprofundam seus conhecimentos. Isto revela o amor e a dedicação de milhares de catequistas que generosamente investem tempo e dinheiro para melhor servir o Povo de Deus. 

         O DGC insiste em três aspectos do conhecimento que são importantes no exercício do ministério catequético: 1. a mensagem a ser transmitida; 2. o interlocutor que recebe a mensagem; 3. o contexto social em que vivemos. 

  

A mensagem 

“A mensagem é mais que doutrina, pois ela não se limita a propor idéias. A mensagem é vida” (João Paulo II, citado no DNC 97). A mensagem catequética faz ecoar a mensagem de Jesus, que nos comunicou o mistério da Santíssima Trindade, Deus-Comunhão(ver DNC 100). O centro da mensagem catequética é anunciar que “a salvação é oferecida a todas as pessoas, como dom da graça e da misericórdia de Deus” (Paulo VI, Evangelii Nuntiandi 27a). 

O DNC nos apresenta alguns critérios para anunciar esta mensagem: Em primeiro lugar está a centralidade da pessoa de Jesus Cristo, depois vem a valorização da dignidade humana, o anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, o caráter eclesial da mensagem, a exigência da inculturação e, por fim, a hierarquia das verdades da fé (ver DNC 105). Importante ressaltar que a fonte da mensagem a ser anunciada encontra-se na Palavra de Deus transmitida  na Tradição e na Escritura. “A Igreja quer que em todo ministério da Palavra, a Sagrada Escritura tenha uma posição pró-eminente” (DGC 127). 

  

O interlocutor 

Em vez de falar de “destinatário”, o DNC prefere usar “interlocutor”, já que o catequizando interage no processo catequético (ver DNC, cap. 6). Além de levar em consideração as diferentes etapas da vida humana (idosa, adulta, juvenil, adolescente, infantil), faz-se necessário não esquecer a catequese na diversidade, que inclui os grupos indígenas, afro-brasileiros, as pessoas com deficiência, os marginalizados e excluídos, as pessoas em situações canonicamente irregulares. Ainda devem ser tidos em conta os grupos diferenciados (profissionais liberais, artistas, universitários, migrantes...), os diversos ambientes (rural e urbano), o contexto sócio-religioso (pluralismo cultural e religioso, a religiosidade popular, o ecumenismo, o diálogo inter-religioso, os recentes movimentos religiosos), e o contexto sócio-cultural (inculturação, comunicação e linguagem) para que possamos alcançar a todos. 

  

O contexto social 

O parágrafo 86 do DNC cita a Constituição do Vaticano II, Gaudium et Spes 1: “as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”. Portanto, a vida humana e tudo aquilo que a envolve faz parte do anúncio catequético, que não pode ignorar o mundo em que vivemos.

  

O que um/a catequista precisa conhecer? 

Levando em consideração a mensagem, o interlocutor e o contexto social, o DNC (nº 269) apresenta os conteúdos que um/a catequista precisa conhecer para desempenhar com qualidade e segurança seu ministério: 

a) a Palavra de Deus, fonte da catequese: “A Sagrada Escritura deverá ser a alma da formação”; 

b) o núcleo básico da nossa fé: as quatro colunas (credo, sacramentos, mandamentos/bem-aventuranças, pai-nosso); 

c) as ciências humanas, de modo especial um pouco de pedagogia e psicologia; 

d) o Catecismo da Igreja e os documentos catequéticos (Catequese Renovada, Catechesi Tradendae, DGC, DNC...); 

e) a pluralidade cultural e religiosa: educação para o diálogo com o diferente; 

f) os acontecimentos da história: descoberta dos sinais e dos desígnios de Deus; 

g) a realidade local: história, festas e desafios do lugar em que se vive; 

h) os fundamentos teológicos da ação pastoral: rosto misericordioso, profético, ministerial, comunitário, ecumênico, celebrativo e missionário.   

O saber não é algo isolado, mas está em estreita conexão com o ser (pessoa) e o saber fazer (metodologia) do catequista. 

Um/a catequista bem preparado/a será capaz de formar discípulos de Jesus comprometidos com a causa do Evangelho e do Reino: vida plena para todos. Isto inclui todas as dimensões da vida humana, que precisam ser fecundadas pela semente do Evangelho. A formação é o espaço que temos para nos tornar “adultos na fé rumo à maturidade em Cristo”.

Pe. Videlson Teles de Meneses 
Fonte: CNBB

sábado, 11 de janeiro de 2014

12 janeiro 2014 – Batismo do Senhor – (Mt 3, 13-17)

“Jesus viu o Espírito de Deus pousando sobre Ele”
Evangelho: (Mt 3, 13-17)
Jesus foi da Galiléia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João, e ser batizado por ele. Mas João procurava impedi-lo, dizendo: “Sou eu que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim?” Jesus, porém, lhe respondeu: “Por enquanto deixe como está! Porque devemos cumprir toda a justiça”. E João concordou. Depois de ser batizado, Jesus logo saiu logo da água. Então o céu se abriu, e Jesus viu o espírito de Deus, descendo como pomba e pousando sobre ele. E do céu veio uma voz, dizendo: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada”.
COMENTÁRIO
Hoje celebramos a festa do Batismo de Jesus. Nas águas do rio Jordão, Jesus é batizado por João Batista. João ministrava um batismo de penitência e de conversão. O batismo de João preparava o povo para a chegada do Messias. Mas, sendo Jesus o próprio Messias, será que havia necessidade de Jesus ser batizado? Seria para apagar seus pecados, ou converter-se?
Certamente Jesus não precisava do batismo, não tinha pecados, nem precisava de conversão. No entanto, Jesus representava a humanidade pecadora e, ao receber o batismo, coloca definitivamente em seus ombros todos os pecados do mundo, para uma purificação, que ele iria realizar através de sua morte de cruz.
Muitos motivos levaram Jesus até João Batista. Ele ainda não havia se manifestado como o Messias, portanto não queria parecer diferente das outras pessoas. Ao pedir o batismo, Jesus quis valorizar o trabalho que João vinha realizando. Com esse gesto, Jesus deu um grande exemplo de humildade.
Apesar de muito antigo, este ditado é atual e verdadeiro: “Mais vale um exemplo, do que mil palavras”. Jesus sabia que com sua atitude humilde, com seu exemplo, muitas pessoas seriam atraídas para o batismo e, conseqüentemente, para a conversão. Mais do que falar, é preciso agir. Essa é a grande lição que Jesus nos deixa no dia de hoje.
Jesus diz: “Devemos cumprir toda a justiça”. Com estas palavras, Jesus demonstra sua obediência. Mesmo sabendo do martírio que o espera, Jesus deixa claro que deseja cumprir inteiramente a vontade do pai e o seu Projeto de Salvação,
Mas, a obediência e a humildade de Jesus são recompensadas. Diante de uma grande multidão, o Pai proclama a filiação divina de Jesus. No Batismo de Jesus o mistério de Deus é revelado aos homens. O céu se abre e a Trindade Santa se revela como mistério de amor para toda a humanidade.
No batismo de Jesus aparece claramente que em Deus há três pessoas realmente distintas: O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus Filho é batizado, nas águas do rio Jordão. Deus Pai apresenta seu Filho e dá testemunho dessa verdade, dizendo: “Este é meu Filho amado!”
De maneira visível, como uma pomba, Deus Espírito Santo desce sobre Jesus. Em nosso batismo, também recebemos o Espírito Santo de Deus, porém, é importante ressaltar que em Jesus, o Espírito Santo já habitava em plenitude, desde o instante de sua concepção divina.
Como dissemos, o batismo de João era de conversão. Podemos até dizer que, ao ser batizado, Jesus assumiu oficialmente a missão de Salvador da humanidade, porém esse batismo não era um Sacramento. Através do Batismo-Sacramento, instituído por Jesus, nos tornamos membros do Corpo de Cristo e recebemos o Espírito Santo que nos transforma em irmãos e membros da Igreja.
A boa notícia de hoje é a unidade, é a ação conjunta da Santíssima Trindade em nosso favor. O amor do Pai, o sacrifício do Filho e a ação do Espírito Santo, resgatam cada um de nós das trevas do pecado e nos reconcilia com o Criador. O amor de Deus liberta-nos da escravidão, devolve-nos a vida em plenitude como verdadeiros filhos seus, e herdeiros do Reino Celeste.
jorge.lorente@miliciadaimaculada.org.br

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Mudança de Ano

O último domingo de 2013, na liturgia católica, é dedicado à instituição familiar. A família é indicada como base fundamental para a sociedade. Até dizemos que “se a família vai mal, não será diferente com a sociedade”. Perdendo os valores familiares, caímos numa situação crônica de vulnerabilidade e insegurança.

Conservar valores significa ser feliz por amar o Senhor e andar em seus caminhos. É o que aconteceu com a Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, apresentados como “família modelo”. Ali identificamos valores que são desprezados nos dias de hoje. Citando alguns dizemos da obediência, do respeito, da fidelidade aos compromissos assumidos e a defesa da vida até às ultimas consequências.

Estamos terminando 2013 com créditos positivos em muitas áreas da atualidade. Na esfera do mundo católico deparamos com a renúncia do Papa Bento XVI e a eleição do argentino Jorge Mario Bergoglio. Com Francisco, simples, humilde e corajoso, as expectativas da humanidade se refazem dentro de um clima de grandes expectativas de um mundo melhor e feliz.

O ano que termina foi marcado também por muitas práticas de violência, de desrespeito à vida humana, de muitos assassinatos, inúmeros acidentes fatais no trânsito etc. Foi ano de “mensalões” sendo colocados na cadeia, de gastos exorbitantes em estádios de futebol e em estradas tendo em vista a Copa do Mundo e as Olimpíadas. 

O Brasil deveria ser encarado como uma grande família, com um povo de sentimentos cristãos e que teve a marca de fé desde sua origem. Tem uma riqueza de diversidade, de cultura, de história, mas com incapacidade para harmonizar todas as diferenças nos diversos setores da sociedade. Ressaltamos o belo progresso tecnológico, mas incapaz ainda de atender às necessidades das pessoas mais sofridas.

Agora é olhar para o próximo ano e projetar situações novas, realidades apoiadas nos sentimentos de bondade, humildade, paciência e perdão, entendidos como características próprias da vida familiar. A marca principal de 2014 deverá ser a esperança, a certeza da possibilidade de uma sociedade cada vez melhor e de vida digna para todos.

Por: DOM PAULO MENDES PEIXOTO 
ARCEBISPO DE UBERABA - MG
www.bispado.org.br

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cultivar a alegria diante das limitações

A Palavra meditada, hoje, está em Salmos 89, 16-19.

16. Feliz o povo que sabe te aclamar: ele caminhará, ó Javé, à luz da tua face.
17. Teu nome é o seu prazer a cada dia, e tua justiça é o seu orgulho.
18. Sim, tu és a honra e a força dele, e com teu favor levantas nossa fronte.
19. Porque Javé é o nosso escudo, nosso rei é o Santo de Israel


Jesus veio para trazer o reino de Deus sobre a Terra; assim, Ele reina no nosso coração. Se nós queremos um mundo diferente, o Senhor precisa reinar na nossa vida, pois é muito difícil festejar em um mundo com tanta violência. Mas aquele que está em reverência diante da face de Deus, que está em amor e em acolhimento, sabe fazer festa e é feliz, porque a faz em nome do Senhor.

A pessoa que caminha em Deus tem a sua alegria n'Ele e a sua vitória vem pela manifestação da glória do Altíssimo. A justiça é sempre uma vitória que vem pelo amor; nunca deveríamos entendê-la como um mal a quem fez mal. A justiça de Deus tem a ver com a pessoa que foi lesada, pois Ele cura as chagas deixadas no nosso coração, e essa justiça vai acontecer na nossa vida!

Muitas vezes, Deus nos fecha uma porta e abre outra, mas ficamos olhando a porta fechada, pensando por onde devemos passar, sendo que essa porta já está aberta.

Deus não quer e não pode fazer o mal, então é por causa d'Ele que nos alegramos sempre e pela Sua justiça que encontramos a glória. Entendemos que a felicidade não está em saber festejar, mas em tornar a nossa vida feliz, quando temos o cuidado de não excluir o único que pode nos dar alegria em todos os momentos: Deus. Há pessoas que podem mudar o nosso dia, seja por um telefonema, por uma manifestação de amor, de carinho, e torna nosso dia muito melhor. Quando Deus está presente na nossa vida, ela se torna uma festa!

Não importa onde estivermos, pois se Deus estiver conosco, tudo pode se converter em uma festa. Mas existem ocasiões festivas, nas quais as pessoas tornam a situação em momentos de tristeza, pois não sabem festejar.

Saber fazer da vida uma festa é um dom de Deus. Sofrimento vem sozinho, não precisa ser chamado. Somos pessoas feridas por coisas que não cuidamos, não valorizamos, e acabamos machucando os outros, porque era valorizado e cuidado pela outra pessoa. Querendo ou não, estamos sempre tocando nas feridas uns dos outros. Então, temos de que pedir a Deus a graça de gerar alegria. Assim como a semente se multiplica, temos de multiplicar essa graça em nossa vida e na dos outros, pois ela precisa ser plantada.

Em um mundo onde o mal vem sem ser chamado, precisamos aprender a gerar alegria. Às vezes, salvar uma pessoa da tristeza é tão fácil!

Todos nós temos alguma coisa na nossa vida que temos de aceitar; e quando vivemos na alegria, ela é a força para superarmos essa dificuldade. A vida de uma pessoa que conta com seus amigos é mais leve. Aquele que tem o coração aberto e nutri, no seu coração, uma alegria, cultiva a paz por meio do amor e das boas ações.

Qual o segredo da felicidade? É reconhecer o que Deus faz por nós nas pequenas coisas todos os dias. É uma delícia participar da alegria de alguém, isso é fazer festa, e é isso que o Senhor quer para nós.

Márcio Mendes
Membro da Comunidade Canção Nova

sábado, 21 de dezembro de 2013

4º Domingo do Advento - A

"Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o justo; abra-se a terra e brote o Salvador!" (cf. Is. 45,8).


Meus queridos amigos,

Chegamos ao último domingo do Advento. Advento que é tempo propício de vigilância. Assim, este domingo é o domingo do Emanuel, o "Deus conosco". Já cantamos na antífona da entrada: "Céus, fazei descer o orvalho e faz brotar da terra a salvação, o Salvador". (cf. Is 45,8). Jesus, gerado pelo orvalho do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, é a realização plena do sinal da presença de Deus que o profeta Isaías anunciou ao rei Acaz, setecentos anos antes: o nascimento de um filho da jovem princesa – da "virgem", como diz a tradução grega do Antigo Testamento, como também o Evangelho. Quem assume o nascimento de Jesus como Pai de Família é o carpinteiro José, da casa de Davi: por causa dele, Jesus nasce como filho de Davi. Mas a mensagem do anjo deixa claro que Jesus é "obra do Espírito Santo"(cf. Mt 1,20). Filiação dupla de Jesus que é mencionada na segunda leitura de Romanos: humanamente falando – segundo a carne – Jesus é filho de Davi, mas quanto à ação divina – segundo o Espírito – Ele é filho de Deus, como se pode constatar sua glorificação depois de ressuscitado dentre os mortos.

Estimados irmãos,

O centro da liturgia de hoje é o encontro do humano com o divino, ou do divino com o humano, em Jesus Cristo, o nosso Redentor. O Evangelho de hoje nos conta a encarnação do Filho de Deus no seio de Maria de Nazaré, por obra e graça do Espírito Santo. Enquanto o evangelista Lucas se demora em descrever a anunciação, Mateus vai direto à gravidez misteriosa de Maria. E põe na curta leitura desse domingo o resumo de todo o seu Evangelho. Mateus aponta a finalidade de seu Evangelho: mostrar que Jesus de Nazaré é o Messias prometido, o Filho de Deus vivo, que libertará o povo dos pecados.

Refletimos hoje o sonho de Mateus. Mateus usa o gênero literário do sonho. Mateus usa de um gênero literário para transmitir um ensinamento que Maria concebeu a Jesus sem a interferência de nenhum homem, mas com a graça de Deus, por obra do Espírito Santo. Jesus, verdadeiro homem, porque nasceu de uma mulher, mas verdadeiramente Deus, porque Filho de Deus por um milagre inexplicável aos olhos humanos.

Quando Maria concebeu Jesus, por obra do Espírito Santo, ainda não estava casada com José. Era apenas noiva. Mas na Galiléia, o noivado, que podia durar um ano inteiro, tinha valor, diríamos, jurídico, e ambos se deviam absoluta fidelidade. Se uma noiva aparecesse grávida de outro homem, o noivo podia repudiá-la, isto é, não tinha mais obrigações para com ela. José, não compreendendo ainda o que se passava e não querendo expor Maria a um escândalo público e a execração do povo, pensou em abandoná-la. Deus se serviu da dúvida honesta para lhe revelar o fato maravilhoso, a verdadeira encarnação de Jesus. E Mateus, narrando a dúvida de José, acentuou que o filho que nascerá é o Filho de Deus.

Irmãos e Irmãs,

José escolheu para o filho o nome de Jesus. Jesus que é o Salvador. Jesus que "salvará o povo". Jesus que significa:"Deus é a salvação". Jesus, o Nazareno, tinha uma missão específica que era salvar ao povo de seus pecados(cf. Mt, 1,21). Jesus veio para libertar o homem do pecado, para que o homem retorne à comunhão com Deus. O nome Jesus carrega a marca forte de uma missão: JESUS SERÁ O SALVADOR DOS HOMENS.

José ao colocar o nome de Jesus em seu filho adotivo adota a criança que não nascera dele. E sendo José da família de Davi, ao adotar o menino, o inseriu na linhagem de Davi, como haviam predito o antigo testamento. Jesus, da estirpe de Davi, o Emanuel, que é o Deus Conosco.

Mas cabe uma reflexão para nos preparamos bem para o Natal do Salvador: que pecado é esse que Jesus veio arrancar de entre os homens? Todo e qualquer pecado. O pecado tem muitos nomes e quase sempre anda em bando. O pecado é a raiz e a fonte de toda a opressão, injustiça e discriminação. Jesus veio libertar-nos, mostrando com seus ensinamentos e, sobretudo, com sua vida, que é possível viver fraternalmente no amor e na unidade, na sinceridade e na benquerença, na ajuda mútua e no perdão dos pecados e das fraquezas, na pureza de coração e na sobriedade, na piedade filial e na simplicidade.

Meus irmãos,

A oração final da Santa Missa nos fala da mensagem de Deus para nós: a mensagem do anjo é a primeira manifestação da obra de Deus que vai desde a anunciação até a ressurreição. Maria aparece aqui como a jovem escolhida por Deus, qual esposa do rei. A virgindade de Maria significa sua disponibilidade para a obra de Deus nela: virgindade fecunda, prenhe de salvação. Nela brota o fruto que, em pessoa, é o sinal de que Deus está conosco.

O mistério de Jesus ter nascido sem que Maria deixasse de ser virgem significa que Jesus, em última instância, não é mera obra humana, mas antes de tudo um presente de Deus à humanidade. Seu nascimento é sinal de que Deus está conosco para nos salvar. Seu nome, Jesus, significa "Deus salva"; é o equivalente a Emanuel.

Estimados amigos,

O gesto de amor dos cristãos, perdoando e amando sempre, durante o Advento, que pede uma mudança radical de atitude rumo a santidade, nos pede que abramos nosso coração para a alegria do Santo Natal. Assim Jesus continua nascendo de Maria para nos salvar. Amém!

sábado, 14 de dezembro de 2013

15 dezembro 2013 – 3º Domingo do Advento – (Mt 11, 2-11)

“No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que João”
Evangelho: (Mt 11, 2-11)
No cárcere João ouviu falar das obras de Cristo e lhe enviou seus discípulos para lhe perguntarem: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?” Jesus lhes respondeu: “Ide anunciar a João o que ouvis e vedes: os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados” (...) Quando eles foram embora, Jesus começou a falar de João ao povo: “O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? (...) Um profeta? Sim, eu vos digo, e mais do que um profeta. Este é de quem está escrito: Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti. Eu vos garanto que dentre os nascidos de mulher ninguém é maior do que João Batista. Mas o menor no reino dos céus é maior do que ele”.
COMENTÁRIO
Neste evangelho nos encontramos com João Batista preso por ordem de Herodes Antipas, filho daquele Herodes que mandou matar as crianças de Belém. Herodes Antipas mandou prender João porque ele o acusava publicamente de haver tomado a mulher de seu irmão Filipe e se casado com ela de forma irregular.
No entanto, mesmo preso, João continua cumprindo a sua missão de precursor. Para João não existem barreiras. Não se cala, não perde nenhuma oportunidade de proclamar a Boa Nova e envia alguns de seus discípulos até Jesus, para perguntar se Ele era mesmo o tão esperado Messias.
Observe que João gritava no deserto a vinda do Messias. João testemunhava que Jesus era o Messias prometido por Deus e, de repente, manda seus discípulos fazer essa pergunta a Jesus. Será que João duvidava disso?
Aparentemente, até João duvidou. Ele que recentemente havia apresentado Jesus como o Cordeiro de Deus, que disse ser indigno de desatar-lhe a sandália e que reconheceu em Jesus o Filho de Deus, agora vacila em sua fé e manda perguntar se deveria esperar outro Messias?
Nós também temos nossas dúvidas. São Tomé duvidou, Santo Agostinho e outros grandes santos duvidaram. Aliás, a dúvida não é nociva e pode ser salutar. Se bem administrada, a dúvida ajuda-nos a crescer na fé, pois nos leva a meditar e pesquisar. Por isso, não é de se estranhar que o Batista também tenha duvidado.
O Messias que João pregava e que a humanidade ansiosamente aguardava, deveria ser um juiz severo que viria para eliminar os opressores, limpar o terreiro, recolher o trigo no celeiro e queimar a palha.
No entanto, ao contrário do que se esperava, ao invés de cortar as árvores inúteis e jogá-las no fogo, Jesus mostra-se piedoso, manso, sem armas e sem um exército atrás de si. Jesus chega até mesmo a decepcioná-los, pois além de não condenar os pecadores, amigavelmente aproxima-se e come com eles.
Jesus não destrói nada e procura consertar o que está quebrado. Não queima os pecadores, muda os corações e traz esperança de salvação para todos. Reacende a luz que está se apagando e tira das trevas aqueles que, como os leprosos, são segregados e marginalizados.
É difícil aceitar um Messias assim. Jesus nada tem a ver com o homem enérgico e severo que todos esperavam. O procedimento de Jesus escandaliza João e, ainda hoje, também nos escandaliza. Quantas vezes que, através das nossas preces, pedimos para Deus intervir e castigar aqueles a quem chamamos de maus.
Felizmente o Messias, o Verdadeiro Deus é bem diferente daquilo que se esperava. Sem restrições Ele faz surgir o sol e envia a chuva sobre os justos e injustos, não porque aprove as injustiças ou por méritos dos justos, mas sim por sua infinita misericórdia.
O amor de Deus por seus filhos está caracterizado na resposta de Jesus aos discípulos de João: “Digam a ele que os cegos recuperam a vista, que os surdos ouvem, os mudos falam, os aleijados andam, os mortos são ressuscitados e os pobres estão sendo evangelizados!”
Se ainda tínhamos dúvidas, estas Palavras devem servir para eliminá-las, pois todas são sinais de salvação, nenhuma de condenação.