terça-feira, 15 de outubro de 2013

A nova evangelização se faz mais com gestos do que com palavras, afirma o Papa.

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu em audiência esta manhã, no Vaticano, os participantes da Plenária do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização. Entre inúmeras funções, este organismo é responsável por organizar os eventos neste Ano da Fé que a Igreja está vivendo.

O Pontífice resumiu seu discurso em três pontos: a primazia do testemunho; a urgência de ir ao encontro; e o projeto pastoral centralizado no essencial.

Nova evangelização, disse o papa, significa despertar no coração e na mente de nossos contemporâneos a vida da fé, num tempo em que esta é considerada irrelevante na vida do homem. “A fé é um dom de Deus, recordou o Papa, mas é importante que os cristãos demonstrem vivê-la concretamente, através do amor, da concórdia, da alegria e do sofrimento. O coração da evangelização é o testemunho da fé e da caridade.”

Muitas pessoas se afastaram da Igreja. É errado atribuir as culpas a um lado ou a outro, ou melhor, não é o caso de falar de culpas. Como filhos da Igreja, devemos continuar o caminho do Concílio Vaticano II, espoliar-nos de coisas inúteis e danosas, de falsas seguranças mundanas que sobrecarregam a Igreja e prejudicam sua verdadeira face.
A crise da humanidade contemporânea, disse ainda Francisco, não é superficial, mas profunda. Por isso, a nova evangelização, enquanto nos chama a ter a coragem de ir contracorrente, só pode usar a linguagem da misericórdia, feita de gestos e de atitudes antes mesmo do que de palavras.

Esses gestos e atitudes levam ao segundo ponto: o dinamismo de ir ao encontro dos outros. “A nova evangelização é um movimento renovado dirigido a quem perdeu a fé e o sentido profundo da vida. A Igreja e cada cristão é chamado a ir ao encontro dos outros, a dialogar com os que não pensam como nós. Podemos ir ao encontro de todos sem medo e sem renunciar à nossa pertença.”

De modo especial, ressaltou o Pontífice, a Igreja é enviada a despertar a esperança sobretudo onde existem condições existenciais difíceis, às vezes desumanas, onde a esperança não respira. A Igreja é a casa em que as casas estão sempre abertas.

Todavia, advertiu o Papa falando terceiro e último aspecto, todo este dinamismo não pode ser improvisado. Exige um compromisso comum para um projeto pastoral que evoque o essencial, ou seja, Jesus Cristo.

Não é preciso disperde-se em tantas coisas secundárias ou supérfluas, mas concentrar-se sobre as realidade fundamentais, que é o encontro com Cristo, com a sua misericórdia, com o seu amor e o amar os irmãos como Ele nos amou. Um projeto animado pela criatividade e pela fantasia do Espírito Santo, que nos leva a percorrer novos caminhos, sem nos fossilizar! 
Devemos nos questionar como é a pastoral de nossas dioceses e paróquias, disse o Papa, destacando a importância da catequese como momento da evangelização para combater o analfabetismo dos nossos dias em matéria de fé.

Várias vezes lembrei de um fato que me impressionou no meu ministério: encontrar crianças que não sabiam nem mesmo fazer o sinal da Cruz! Os catequistas desempenham um serviço precioso para a nova evangelização, e é importante que os país sejam os primeiros catequistas, os primeiros educadores à fé na própria família com o testemunho e com a palavra.(BF)





 Rádio Vaticano 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

13 outubro 2013 – 28º Domingo do Tempo Comum – (Lc 17, 11-19)

“Levanta-te e vai. Tua fé te salvou!”
Evangelho: (Lc 17, 11-19) 
Indo para Jerusalém, Jesus atravessava a Samaria e a Galiléia. Quando ia entrar num povoado, vieram-lhe ao encontro dez leprosos. Pararam ao longe e gritaram: “Jesus, Mestre, tem piedade de nós”. Ao vê-los, Jesus lhes disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. E aconteceu que, no caminho, ficaram limpos. Um deles, vendo-se curado, voltou glorificando a Deus em voz alta. Caiu aos pés de Jesus e, com o rosto em terra, agradeceu-lhe. E este era um samaritano. Tomando a palavra, Jesus disse: “Não eram dez os que ficaram limpos? Onde estão os outros nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?” E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”.
COMENTÁRIO
Aqui estamos, para juntos, meditarmos a Palavra que é Vida, a Palavra de Deus. E por falar em vida, o evangelho de hoje nos lembra de alguns irmãos doentes que levam uma vida sofrida e extremamente difícil.
Basta aparecer uma doença para nos deixarmos abater pelo desânimo. Quando se está doente, a vida parece mais difícil e sem graça. Imagine-se então doente e ainda por cima colocado à margem da sociedade. Proibido de se aproximar das pessoas, sem ter alguém para cuidar das feridas e amenizar sua dor.
Essa era a situação dos leprosos na época de Jesus. A lepra era considerada uma doença incurável e contagiosa, por isso, os doentes eram isolados e mantidos em locais distantes das cidades. Quando alguém passava por perto, os doentes tinham que avisar que estavam contaminados pela lepra.
Os transeuntes mudavam de caminho, ninguém se aproximava dos leprosos. Só tinham como companhia, outros doentes. Viviam em grupos para amenizar a sensação de abandono e tornar menos dura a vida. Proibidos de se aproximarem dos locais habitados e sem esperança de cura, somente esperavam pela morte.
Quando tudo parecia perdido. Quando aparentava que aquele dia seria igual aos anteriores, Jesus apareceu na vida daqueles leprosos, e tudo mudou.
Este evangelho tem uma seqüência de acontecimentos que serve para comprovar o que vimos no evangelho do último domingo (Lc 17,5-10). A fé é capaz de coisas incríveis, capaz de mover árvores e montanhas, capaz de curar o físico e a alma. Quem acredita verdadeiramente, tudo consegue.
Lucas diz que Jesus estava se preparando para entrar no povoado, quando os dez leprosos vieram ao seu encontro gritando e pedindo compaixão. Disso podemos concluir que esses homens conheciam Jesus e sabiam dos seus poderes. Acreditavam que Jesus era capaz de curá-los.
A fama de Jesus já havia chegado até eles. Se não soubessem quem era Jesus, jamais pediriam ajuda à Ele. Por isso, nunca é demais lembrar que estamos no mês missionário e que todo cristão é chamado à missão evangelizadora. É preciso que todos conheçam a Boa Nova.
Precisamos sair a campo e gritar sobre os telhados. É missão de todos nós apresentarmos Jesus ao mundo, pois quem não conhece Jesus como verdadeiro Deus, quem não sabe dos seus poderes, nunca irá se aproximar para pedir ajuda para sua cura física e espiritual. Nunca conhecerá o Amor.
Parece que com este evangelho, Lucas pretende relembrar-nos que Jesus também conhece a cada um de nós e sabe das nossas necessidades. Tanto isso é verdade que ao ouvir os apelos daqueles "desconhecidos", não fez nenhuma pergunta, não perguntou se eram judeus ou samaritanos. Simplesmente teve compaixão e mandou que se apresentassem aos sacerdotes.
Lucas faz questão também de ressaltar o desapontamento de Jesus, pois só o samaritano voltou para agradecer o benefício alcançado. Quem quiser purificar-se e libertar-se das feridas, deve lembrar que gratidão é uma virtude que deveria ser usada com mais freqüência.
Por que então não imitarmos o samaritano? Por que não agradecermos diariamente por tantas graças recebidas? Jamais deveríamos nos esquecer que dentre os dez somente um soube ser grato e por isso, foi o único que teve a graça de ouvir estas palavras: "Levanta-te e vai! Tua fé te salvou".
jorge.lorente@miliciadaimaculada.org.br

12 de outubro dia de Nossa Senhora Aparecida


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Papa: "O que pedimos na oração é o 'papel' de presente. A verdadeira graça é Deus"

Na oração, devemos ser corajosos e descobrir que a verdadeira graça que nos é dada é o próprio Deus: é o que afirmou o Papa na Missa desta manhã em Santa Marta. No centro da homilia, o trecho do Evangelho em que Jesus destaca a necessidade de rezar com insistência e confiança: 

A parábola do amigo importuno, que obtém aquilo que deseja graças à sua insistência, inspirou o Papa Francisco a refletir sobre a qualidade da nossa oração:

Isso nos faz pensar na nossa oração: como nós rezamos? Rezamos assim, por hábito, piedosamente mas tranquilos, ou nos colocamos com coragem diante do Senhor para pedir a graça, para pedir aquilo pelo qual rezamos? (É preciso, ndr) a coragem na oração: uma oração que não seja corajosa não é uma verdadeira oração. A coragem de ter confiança de que o Senhor nos ouça, a coragem de bater à porta … O Senhor diz: “Quem pede, recebe; quem procura, encontra; e quem bate, a porta se abre”. É preciso pedir, procurar e bater.
Quando nós rezamos corajosamente, disse ainda o Papa, o Senhor nos concede a graça, mas também Ele se dá a si mesmo na graça: o Espírito Santo, ou seja, si mesmo! Jamais o Senhor concede ou envia uma graça por correio: jamais! Ele a concede! Ele é a graça! 

O que nós pedimos, disse ainda o Francisco, na verdade é papel que embrulha a graça, porque a verdadeira graça é Ele, que vem para entregá-la. A nossa oração, se for corajosa, recebe o que pedimos, mas também o que é mais importante: o Senhor”. 

Nos Evangelhos – observou– “alguns recebem a graça e vão embora”: dos dez leprosos curados por Jesus, somente um volta para agradecer-Lhe. O cego de Jericó encontra o Senhor na oração e louva a Deus. Mas é preciso rezar com a “coragem da fé”, reiterou o Pontífice, levando-nos a pedir também aquilo que a oração não ousa esperar: ou seja, o próprio Deus:

Não façamos a desfeita de receber a graça e não reconhecer Quem a dá: o Senhor. Que o Senhor nos dê a graça de doar-se a si mesmo, sempre, em toda graça. E que nós o reconheçamos, e que o louvemos como aqueles doentes curados do Evangelho. Porque naquela graça, encontramos o Senhor.


 Rádio Vaticano 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

06 outubro 2013 – 27º Domingo do Tempo Comum – (Lc 17, 5-10)

“Senhor, aumenta a nossa fé!” 
Evangelho: (Lc 17, 5-10)
Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta-nos a fé”. E o Senhor respondeu: “Se tivésseis uma fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria. Quem de vós, tendo um escravo que lavra a terra ou cuida do gado, dirá para ele, quando voltar do campo: ‘Entra logo e senta-te à mesa’? Pelo contrário, não lhe dirá: ‘Prepara-me o jantar, arruma-te para me servires, enquanto eu como e bebo; depois comerás e beberás tu’? Por acaso fica o senhor devendo algum favor ao escravo pelo fato de este ter feito o que lhe foi mandado? Assim, também vós, quando tiverdes feito tudo que vos foi mandado, dizei: ‘Somos escravos inúteis. Fizemos apenas o que tínhamos de fazer’”.
COMENTÁRIO
Mais uma vez nos reunimos para falar de Deus, meditar a sua Palavra e levar aos nossos irmãos alento e fé. Já estamos em outubro, mês das missões. Nunca é demais lembrar-se de que todo cristão é um missionário.
No evangelho de hoje, os apóstolos pedem a Jesus que lhes aumente a fé. Realmente, é preciso muita fé para ser um discípulo fiel, para seguir sem desanimar e para apresentar Jesus Cristo ao mundo. Diante de tantas barreiras, é preciso muita coragem para não se acovardar. 
Levar a Palavra de Deus para todas as nações, evangelizar, tornar Jesus Cristo conhecido e amado, esse é o desafio do missionário. A coragem para superar os obstáculos e prosseguir, o ânimo para gritar bem alto a Boa Nova, são frutos da fé. Jesus nos diz que, com fé tudo é possível.
Quem tem fé, por menor que pareça, é capaz de fazer grandes coisas. Hoje, através de Lucas, Jesus fala da árvore que sai do seu lugar e planta-se no mar, já através de Mateus (17,20), Jesus diz que, com fé, somos capazes de mover uma montanha. Mas, como conseguir esses feitos extraordinários?
Certamente a fé não nos dá poderes mágicos. Esses dois exemplos de Jesus vão muito além do nosso entendimento. Humanamente falando-se, parecem absurdos e, é exatamente isso que Jesus pretende mostrar-nos, que a fé é capaz de fazer coisas que parecem absurdas e, até mesmo, impossíveis.
Diante do pedido dos apóstolos, Jesus começa dizendo da importância da fé e do seu poder de realização. O simples fato de acreditar que existe solução, já é meio caminho andado para a solução. Fé é uma palavra abrangente que não está restrita na simples crença da existência de Deus. 
Os exemplos de Jesus devem servir para alicerçar ainda mais a nossa fé. Ninguém precisa mover uma árvore, montanha e, nem mesmo levitar uma simples folha de papel, para provar a sua fé. A maior prova de fé está na vivência da própria fé. Viver a fé é deixar-se conduzir pela vontade de Deus.
Fé é adesão total aos Planos de Deus, é entregar-se sem restrições. A fé, como a semente de mostarda, começa pequena, e vai crescendo dia-a-dia. Não nascemos com fé, nem a ganhamos gratuitamente. Fé tem que ser plantada, cultivada e regada diariamente com muita oração.
A fé não deixa margens para dúvidas, ela é a própria certeza, é virtude, é um dom de Deus que tem seu crescimento acelerado quando adubada com sacrifícios e renúncias. A fé atinge a maturidade quando transformada em gestos concretos.
Jesus diz que tudo que pedirmos a Deus, Ele nos dará sem impor condições. No entanto, é preciso pedir com fé. São Tiago reforça as Palavras de Jesus e afirma que a fé sem obras é morta. Ao utilizar o termo servo inútil, Jesus sugere que nos reconheçamos desnecessários, pois Deus poderia fazer tudo sozinho, porém Ele quer precisar dos nossos serviços, do nosso empenho em servir ao próximo.
Com essas palavras, Jesus nos dá uma lição de humildade. Tenta trazer-nos à realidade ao lembrar-nos que somos servos de Deus e que o servo deve estar sempre disponível às necessidades do patrão.
É bom lembrar que somos pagos, e muito bem pagos! Recebemos muito mais do que merecemos para executar nossas tarefas. Portanto, tudo o que fizermos para o Senhor, que deu sua vida por nós, ainda é pouco.
Nascemos para ser santos, portanto, amar a Deus e ao próximo, faz parte das nossas tarefas diárias. Por tudo isso, vamos parar e meditar estas palavras que, apesar de ásperas, são verdadeiras: “O cristão que por amor, se aproxima do irmão, está apenas cumprindo sua obrigação!”

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A importância do Anjo da Guarda em nossa vida

O Catecismo da Igreja diz que "a existência dos seres espirituais, não-corporais, que Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé". O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição (n. 328). Nenhum católico pode, então, negar a existência dos anjos. Eles são criaturas pessoais e imortais, puramente espirituais, dotados de inteligência e de vontade e superam em perfeição todas as criaturas visíveis (cf. Cat. n. 330). São Gregório Magno disse que quase todas as páginas da Revelação escrita falam dos anjos.

A Igreja ensina que desde o início até a morte, a vida humana é cercada por sua proteção (cf. Sl 90,10-13) e por sua intercessão. "O Anjo do Senhor acampa ao redor dos que o temem e os salva" (Sl 33,8).

São Basílio Magno (†369), doutor da Igreja, disse: "Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida." (Ad. Eunomium 3,1). Isto é, temos um Anjo da Guarda pessoal. Jesus disse: "Não desprezeis nenhum desses pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus veem continuamente a face de meu Pai que está nos céus" (Mt 18,10).

A liturgia de dois de outubro celebra os Anjos da Guarda desde o século XVI, festa universalizada por Paulo V, depois que em 1508 Leão X aprovou o novo Ofício composto pelo franciscano João Colombi. Ora, se a Igreja celebra a festa dos Anjos da Guarda é porque de fato eles existem e cuidam de nós, nos protegem, iluminam, governam nossa vida, ajudam-nos como ajudou a Tobias. Mas para isso é preciso crer neles, respeitá-los, não afugentá-los pelo pecado. Um dia um rapaz me disse: "Eu não vejo pornografia na internet porque tenho vergonha de meu Anjo da Guarda!". A melhor homenagem a nosso anjo é viver uma vida sem pecados, buscando, com sua ajuda, fazer a vontade de Deus.

A Tradição da Igreja acredita que nosso Anjo da Guarda tem a tarefa de oferecer a Deus as nossas orações, apoiar-nos e proteger-nos dos ataques do diabo, que tenta nos fazer pecar e perder a vida eterna. Então, nada mais importante que ter uma vida de intimidade com nosso Anjo da Guarda, invocá-lo constantemente e colocar-se debaixo de sua proteção. Desde criança aprendi com minha mãe esta oração: "Santo Anjo da minha guarda a quem eu fui confiado por celestial piedade; iluminai-me, guardai-me, regei-me, governai-me. Amém." Nunca deixei de rezar essa oração.

Então, o melhor a fazer é não fazer nada sem pedir a luz, a proteção, o governo do bom anjo que o Senhor colocou como guarda e custódio de nossa vida, do batismo até a morte.

É por isso que muitos papas, como o Papa João XXIII, revelaram a sua profunda devoção pelo Anjo da Guarda, sugerindo, como também disse Bento XVI, de expressar a sua própria gratidão pelo serviço que ele presta a cada um de nós e de invocá-lo todos os dias, com o "Angelus Dei".

São Pio de Pietrelcina teve um relacionamento profundo com o Anjo da Guarda. São inúmeras as passagens de sua vida com o seu anjo e com os dos outros. Certa vez ele disse a uma pessoa: "Nós rezaremos pela sua mãe, para que o seu Anjo da Guarda lhe faça companhia".

Invoque o seu Anjo da Guarda, pois ele o iluminará e guiará no caminho de Deus.

Felipe Aquino
www.cancaonova.com

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Fé e fidelidade: duas palavras que estão em crise de identidade

Estas duas palavras estão em crise de identidade. Passam por um processo de esvaziamento e perda de sentido. Fé é adesão firme em Deus, que é fiel. É um fato que supera toda nossa compreensão humana, mas não afeta a liberdade ao tomar decisão. Pelo contrário, livremente a pessoa age com atitude de fidelidade.

Fidelidade é a prática de quem é fiel ao que faz e tem compromisso sério no cumprimento do que assume e é confiável, é constante. Há um texto bíblico que diz que “o justo viverá por sua fidelidade” (Hab 2, 4). A infidelidade é descumprimento de um compromisso de fidelidade e ruptura com consequências desastrosas.

Fé e fidelidade são dons de Deus, mas também frutos de decisão consciente e responsável. Ambas fazem parte da estrutura natural das pessoas, mas precisam ser trabalhadas com sinceridade para que sejam um bem para a sociedade. A falta de fidelidade, em determinadas circunstâncias da vida, pode ser também ameaça à fé.

Não podemos agir apenas por fantasia, sem profundidade, despidos de responsabilidade. A fé e a fidelidade do outro depende do testemunho que lhe for proporcionado. Não ter uma fé como fundo de garantia, sem fidelidade, mas como firmeza na adesão aos princípios que contam e que nos levam à realização de vida com dignidade.

Toda pessoa deve estar a serviço do Reino de Deus. É um caminho de construção, que supõe desapego, desprendimento e atenção ao que é mais importante para o bem comum. Em vez de ser servido, a fé e a fidelidade, como condição de vida digna, fazem de nós servidores da comunidade com determinação e coragem.

Estamos numa mentalidade que busca compensação para tudo que se faz numa mentalidade totalmente calculista e muito marcada pelo materialismo, onde o ter passa a ser mais importante do que o ser. Para ser diferente, devemos ter dedicação total no servir, mas com o coração aberto e sem interesses puramente vazios. Não é saudável a ambição de poder, de aparecer e de compensação.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba