quinta-feira, 20 de junho de 2013

23 junho 2013 – 12o Domingo do Tempo Comum – (Lc 9, 18-24)


“Tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo“
Estando Jesus orando a sós com os discípulos, perguntou-lhes: “Quem as multidões dizem que eu sou?” Responderam-lhe: “Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros ainda, que ressuscitou algum dos antigos profetas”. Perguntou-lhes então: “E vós, quem dizeis que eu sou?” – “O Cristo de Deus”, respondeu Pedro. Mas Jesus proibiu-lhes severamente falar disso a quem quer que fosse. E acrescentou: “O Filho do homem deve sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e escribas, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. E disse a todos: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará”.
COMENTÁRIO
Como sempre o fazia, Jesus estava rezando num lugar retirado para melhor se concentrar. Após a oração, Jesus interroga os discípulos: “Quem diz o povo que eu sou?” Jesus não precisava fazer essa pergunta. Ele, o próprio Deus, certamente sabia de tudo o que se passava nas mentes das pessoas.
Mas, Jesus queria ouvir uma resposta vinda de seus discípulos. Afinal eles andavam no meio do povo e sabiam a opinião popular. Ao perguntar quem o povo achava ser ele, Jesus quer mostrar-nos a importância de levar a sério a opinião e as necessidades dos nossos comandados.
O pastor, o líder comunitário, o coordenador de pastoral, devem manter-se atentos e cumprir com zelo suas obrigações paroquiais e trabalhos pastorais, colocar-se a serviço para que possam ser verdadeiramente úteis à comunidade.
Após tomar ciência do pensamento do povo, Jesus foi além e questionou-os: “E vocês? Quem vocês dizem que eu sou?” “tu és o Messias, o Filho de Deus!” Respondeu Pedro com toda convicção. Em outro momento, para mostrar que a nossa fé é um dom de Deus, Jesus afirma que quem revelou isso a Pedro foi o Espírito Santo.
O Espírito Santo revela os mistérios de Deus para todos, convidando-nos a aderir à sua causa. No entanto, só uma pequena porção da humanidade responde a este chamado de fé. Somente alguns aceitam ouvir e seguir o Messias Filho do Deus Vivo. Somente alguns dizem: “Sim, aqui estou, Senhor!”
Jesus insiste em convidar-nos a segui-lo, mas respeita nossa decisão. Também deixa claro que segui-lo não é fácil. O caminho é difícil, pedregoso e a porta ao final, é estreita. Poucos passarão, poucos poderão ultrapassá-la. A recompensa, a garantia de glória eterna, exige sacrifício, exige renúncia.
“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo!” - disse Jesus – Renunciar a si próprio quer dizer, renunciar ao egoísmo, aos bens supérfluos, ao poder e à ganância, à vaidade e influência política. Renunciar a tudo que nos distancia de Deus, e que nos impede de continuar o trabalho missionário de Jesus no mundo.
“Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas quem perder a sua vida por causa de mim vai salvá-la”. Com estas palavras o Mestre quer ensinar que só encontra sentido para viver quem doa sua existência e se desgasta por causa dele em favor dos irmãos.
Essa doação Jesus espera encontrar em cada um de nós. Oferece-nos também a cruz, porém, não mais como instrumento de morte. Com sua ressurreição, Jesus transformou a cruz em ponte para a vida. Por isso, quer ver-nos carregando nossa cruz com dignidade, não como motivo de sofrimento, mas sim como meio de santificação e de salvação para nós e para toda a humanidade.
Aos seus discípulos e a Pedro, Jesus proibiu severamente que falassem, a quem quer que fosse, que ele era o Messias. Entretanto, a nós, ele pede insistentemente, que nossa coragem se redobre e que saiamos a campo gritando por toda parte que o Cristo ressuscitou, que está vivo, e quer habitar em nossos lares e em nossos corações!
Esta é a Boa notícia de hoje.

Precisamos nos reinventar sempre


Atualmente, usa-se muito a palavra “reiventar” no sentido de transformar algo ou outrem, transformar o cotidiano, sair da rotina. De fato, precisamos, a todo momento, reinventarmo-nos, porque a nossa tendência é nos acomodarmos e nos acostumarmos em todos os sentidos da nossa vida.
A dinâmica de Deus, na nossa vida, é que vivamos cada dia de maneira nova. Se olharmos para o céu, a cada manhã que desperta, veremos que, todos os dias, ele está colorido com tons diferentes. E, assim, deve ser a nossa vida, porque o próprio Senhor nos quer realizar esta renovação a cada dia em nós.
“Eis que eu renovo todas as coisas” (Ap 21,5b). Senhor, renova-nos, hoje, na força do Espírito Santo para que vivamos e enxerguemos, de maneira nova, todas as coisas.
Obrigada, Senhor!
Jesus, eu confio em Vós!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

LITURGIA DE DOMINGO 16 DE JUNHO DE 2013 - 11 DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C


A MULHER PECADORA ARREPENDIDA

A Igreja não é composta por "justos", mas por pecadores,
que precisam do perdão de Deus e dos irmãos.

E a Liturgia de hoje nos apresenta um Deus de bondade e de misericórdia,
que detesta o pecado, mas ama o pecador.

1ª Leitura apresenta a história de DAVI PECADOR
e a reação de Deus diante do pecado do rei. (2Sm 12,7-10.12)

- Davi cometeu adultério com a mulher de Urias.
  Quando soube que a mulher estava grávida, mandou colocar Urias
  no lugar mais perigoso da batalha, onde acabou morrendo.

- O Profeta Natan denuncia o Rei desse crime
  e anuncia os castigos de Deus contra ele e a sua família.

- O Rei reconhece humildemente seu erro: "Pequei contra o Senhor".
- Diante dessa atitude humilde e sincera de arrependimento,
  o profeta termina com uma mensagem de esperança:
  "O Senhor perdoou o teu pecado. Tu não morrerás".

* Deus condena o pecado, mas manifesta
   uma misericórdia infinita com o pecador..
   Dá sempre a possibilidade de recomeçar.
   Na fraqueza, Davi teve humildade em reconhecer o seu pecado
   e confiança na bondade de Deus que perdoa...

Na 2ª Leitura Paulo afirma que a Salvação é um dom gratuito que Deus oferece. Mas para ter acesso a esse dom, é preciso aderir a Jesus e
identificar-se com o Cristo do amor e da entrega. (Gl 2,16.19-21)

Evangelho narra a História da MULHER PECADORA.
Só Lucas narra esse episódio. É o evangelho da misericórdia. (Lc 7,36-8,3)

- Jesus aceitava com alegria os convites para fazer refeições nas famílias...
   Vai à casa de Simão e a conversa estava animada...

- De repente aparece uma mulher intrusa...
  A mulher já era pouco valorizada, imaginemos uma prostituta?
  Ela enfrenta a condenação dos "bem comportados".
  Não fala nada. Suas lágrimas e o perfume precioso falam por ela.
  O gesto tocou o coração de Jesus.

- Por que procurou Jesus? Provavelmente já conhecia Jesus...
O Mestre devia tê-la impressionado profundamente.
O seu olhar era diferente dos que a olhavam com interesse
para aproveitar de seu corpo e sua beleza...
ou dos que a desprezavam... ou a condenavam...

O "muito amor" manifestado pela mulher é o resultado da atitude de Jesus:
nasce de um coração agradecido que não se sentiu excluído,
nem marginalizado, mas que nos gestos de Jesus tomou consciência
da bondade e da misericórdia de Deus.

+ No episódio, encontramos:

Três Personagens:  
     - Um que convida,
     - um que é convidado,
     - uma que aparece sem ser convidada.

Três olhares diferentes:
    - O olhar orgulho de Simão, com desprezo daquela pecadora e
      com desconfiança até do gesto de Cristo...
    - O olhar misericordioso de Cristo, que valoriza o gesto de amor
       daquela pecadora e censura a arrogância daquele fariseu puritano...
    - O olhar humilde da Pecadora, que reconhece seu pecado e
      descobre no gesto de Jesus a misericórdia de Deus.

A atitude de Deus: Ele ama sempre...
Ele ama todos como filhos e a todos convida a integrar a sua família.
É esse Deus que temos de propor aos nossos irmãos e
que temos de apresentar àqueles que a sociedade trata como marginais.

A figura de Simão representa aqueles que, instalados nas suas certezas
e numa prática religiosa feita de ritos e obrigações bem definidos
e rigorosamente cumpridos, se acham em dia com Deus e com os outros.
Consideram-se "bons cumpridores" de suas obrigações
e desprezam os que não as cumprem.

Em nossas comunidades, há ainda hoje situações semelhantes?
 Sabemos que a Igreja não é formada de "justos", mas de pecadores  
 que foram perdoados e necessitam SEMPRE do perdão de Deus e dos irmãos.
- Quantas vezes também nós podemos nos considerar mais ou menos "perfeitos"
  e desprezamos os que nos parecem pecadores, imperfeitos, marginais!...

A exclusão e a marginalização não geram vida nova;
só o amor e a misericórdia interpelam o coração e
provocam uma resposta de amor.

Qual é a NOSSA atitude diante do pecado?

   - Diante dos erros dos outros,
      imitamos o exemplo de Jesus, que acolhia e perdoava...
      ou de Simão, que rejeitava e condenava?
   - Diante dos nossos erros e pecados,
     imitamos o exemplo de humildade de Davi e da pecadora,

     ou somos tentados a escondê-los, ou, de alguma forma, justificá-los? (Texto B. N. Aguas)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

09 junho 2013 – 10º Domingo do Tempo Comum – (Lc 7, 11-17)

“Um grande profeta surgiu entre nós!”
Jesus foi para uma cidade chamada Naim, acompanhado dos discípulos e de uma grande multidão. Ao aproximar-se da porta da cidade, saía o enterro de um jovem, filho único de uma viúva. Uma multidão numerosa da cidade o seguia. Ao vê-la, o Senhor ficou com muita pena e lhe disse: “Não chores”. E, aproximando-se, tocou o caixão; os que o carregavam, pararam; e Jesus disse: “Moço, eu te ordeno, levanta-te”. O morto sentou-se e começou a falar, e Jesus o entregou à mãe. O medo se apoderou de todos, e louvavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta surgiu entre nós”, Deus visitou seu povo”. A notícia do fato correu por toda a Judéia e por toda a redondeza.
COMENTÁRIO
Quem já não ouviu falar do episódio da viúva de Naim? No Evangelho de hoje nos deparamos com essa mãe angustiada. Uma viúva que por infelicidade perdeu seu único filho e que por felicidade, encontrou-se com Jesus.
Conhecendo-se as mães como conhecemos, acredito que ela não estava apenas chorando. A seu modo, devia também estar rezando por seu filho. No entanto, é provável que ela pouco soubesse a respeito daquele a quem chamavam de o Profeta de Nazaré.
Observe que ela nem sequer teve tempo de implorar por seu filho. O evangelista Lucas nos diz que Jesus, ao vê-la encharcada de lágrimas, teve compaixão. Jesus tentou consolá-la dizendo: “Não chores!”
Antes mesmo que parasse de chorar, Jesus tomado pela misericórdia e para mostrar à multidão, quem Ele era e porque viera, tocou no caixão e ordenou que o jovem se levantasse. O morto sentou-se e começou a falar.
Uma coisa que nos chama a atenção é o fato de Jesus entregar o jovem à sua mãe. Coloque-se no lugar dela. Como você se sentiria recebendo de volta, seu filho que estava morto? Jesus faz exatamente isso. Devolve-lhe a sua maior riqueza, seu único filho.
Será que existe para uma mãe algo mais valioso do que um filho? Só mesmo alguém que ama, verdadeiramente, é capaz de imaginar e entender a alegria estampada no rosto daquela pobre mãe. 
Como sempre, a Palavra de Deus é bastante atual. E este Evangelho não é diferente. Quantas e quantas mães choram a morte de seus filhos nos dias de hoje. Caminham tristes e a passos lentos, como se estivessem acompanhando o funeral daqueles a quem tanto amam.
São filhos jovens, subnutridos, famintos, sem emprego, sem oportunidades, sem teto e sem cidadania. Outros, mortos para a sociedade, envolvidos com a prostituição, consumo e tráfico de drogas. Levados pelas más companhias estão prestes a perderem, também, a sua vida física.
Não sabemos o nome dessa viúva, por isso, decidi chamá-la de Mônica. Ela me faz lembrar da mãe de Santo Agostinho. Um cabeça dura, prestes a morrer para Deus, mas que, graças às orações de Santa Mônica, foi ressuscitado por Jesus. Ela também recebeu de volta sua maior preciosidade.
Lucas acentua que a notícia do fato correu por toda Judéia. A partir desse episódio, muitas outras mães devem ter recorrido a Jesus, pedindo por seus filhos. Em resumo, esse Evangelho deve fortalecer nossa certeza no poder da oração.
Se você é mãe, ou pai, não importa. Basta amar e recorrer a Jesus. A Boa Notícia de hoje é a certeza de que Deus é misericordioso. Sabe das nossas necessidades e, mesmo nos momentos mais escuros, é Luz, é Caminho e Vida. Ao seu lado, de cabeça erguida e passos firmes, alegremente caminhamos para a glória futura.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Discurso do Papa à Pontifícia Academia Eclesiástica – 06/06/2013


Discurso do Papa à Pontifícia Academia Eclesial - 06/06/2013
DISCURSO
Audiência com a Comunidade da Pontifícia Academia Eclesiástica
Sala Clementina do Palácio Apostólico
Quinta-feira, 6 de junho de 2013
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Querido Irmão no Episcopado,
Queridos sacerdotes,
Queridas irmãs,
Amigos
Dirijo a todos as mais cordiais boas vindas! Saúdo cordialmente o vosso presidente, Dom Beniamino Stella, e agradeço a ele pelas amáveis palavras que me dirigiu em vosso nome, fazendo memória das visitas que pude fazer em sua Casa no passado. Recordo também a cordial insistência com a qual Dom Stella me convenceu, agora há dois anos, a enviar à Academia um sacerdote da arquidiocese de Buenos Aires! Dom Stella sabe bater à porta! Um grato pensamento dirijo também aos seus colaboradores, às Irmãs e ao pessoal que oferecem o seu generoso serviço junto à vossa comunidade.
Queridos amigos, vocês estão se preparando para um ministério de particular compromisso, que colocará vocês a serviço direto do Sucessor de Pedro, do seu carisma de unidade e comunhão e da solicitude por todas as Igrejas. O serviço que se presta na Representação Pontifícia é um trabalho que requer, como em todo tipo de ministério sacerdotal, uma grande liberdade interior, grande liberdade interior. Vivam estes anos da vossa preparação com compromisso, generosidade e grandeza de alma, a fim de que esta liberdade possa verdadeiramente tomar forma em vocês!
Mas o que significa ter liberdade interior?
Antes de tudo significa ser livre de projetos pessoais, ser livre de projetos pessoais, de algumas das modalidades concretas com as quais talvez um dia vocês pensaram viver o vosso sacerdócio, da possibilidade de programar o futuro; da perspectiva de permanecer por mais tempo em “vosso” lugar de ação pastoral. Significa tornar-se livres, em qualquer modo, também em relação à cultura e à mentalidade da qual vocês provêm, não para esquecê-la e muito menos para renegá-la, mas para se abrirem, na caridade, à compreensão de culturas diferentes e ao encontro com homens pertencentes a mundos também muitos distantes dos seus. Sobretudo, significa vigiar para ser livres da ambição ou aspirações pessoais, que tanto mal podem fazer à Igreja, tendo cuidado de colocar sempre em primeiro lugar não a sua realização ou o reconhecimento que vocês poderiam receber dentro ou fora da comunidade eclesial, mas o bem superior da causa do Evangelho e a realização da missão que lhes será confiada. E este ser livre de ambições ou objetivos pessoais para mim é importante, é importante. O carreirismo é uma lepra, uma lepra. Por favor: nada de carreirismo. Por este motivo, vocês devem estar dispostos a integrar a vossa visão de Igreja, mesmo legítima, cada ideia pessoa ou juízo, no horizonte do olhar de Pedro e da sua peculiar missão ao serviço da comunhão e da unidade do rebanho de Cristo, da sua caridade pastoral, que abraça o mundo inteiro e que, graças à ação das Representações Pontifícias, deseja estar presente, sobretudo, naqueles lugares, muitas vezes esquecidos, onde são grandes as necessidades da Igreja e da humanidade.
Em uma palavra, o ministério ao qual vocês se preparam – porque vocês se preparam para um ministério! Não a uma profissão, a um ministério – este ministério requer de vocês um sair de si mesmo, um destacar-se de si mesmo que pode ser alcançado somente através de um intenso caminho espiritual e uma séria unificação da vida ao redor ao ministério de amor de Deus e ao insondável desígnio do seu chamado. Na luz da fé, nós podemos viver a liberdade dos nossos projetos e da nossa vontade não como motivo de frustração ou de esvaziamento, mas como abertura ao dom transbordante de Deus, que torna fecundo o nosso sacerdócio. Viver o ministério a serviço do Sucessor de Pedro e das Igrejas às quais sereis enviados poderá parecer exigente, mas permitirá a vocês, por assim dizer, ser e respeitar no coração da Igreja, da sua catolicidade. E isto constitui um dom especial, porque, como recordava propriamente à vossa comunidade o Papa Bento XVI, “aonde há abertura à objetividade da catolicidade, ali há também o princípio de autêntica personalização” (Discurso à Pontifícia Academia Eclesial, 10 de junho de 2011).
Tenham grande cuidado com a vida espiritual, que é a fonte da liberdade interior. Sem oração não há liberdade interior. Vocês podem fazer tesouro precioso dos instrumentos de conformidade a Cristo propriamente da espiritualidade sacerdotal, cultivando a vida de oração e fazendo do vosso trabalho cotidiano a academia da vossa santificação. Eu gosto de recordar aqui a figura do Beato João XXIII, do qual celebramos há poucos dias o quinquagésimo aniversário de morte: o seu serviço como Representante Pontifício foi um dos âmbitos, e não o menos significativo, nos quais a sua santidade tomou forma. Relendo os seus escritos, impressiona o cuidado que ele sempre coloca no seu cuidar da própria alma, em meio às mais variadas ocupações no campo eclesial e político. Daqui nasciam a sua liberdade interior, a alegria que transmitia externamente e a própria eficácia de sua ação pastoral e diplomática. Assim escrevia no Diário da Alma, durante os Exercícios espirituais de 1948, enquanto era Núncio em Paris: “Mais me faço maduro de anos e de experiência, e mais reconheço que o caminho mais seguro para a minha santificação pessoal e para o melhor sucesso do meu serviço da Santa Sé, permanece o esforço vigilante de reduzir tudo, princípios, endereços, posições, deveres, ao máximo de simplicidade e de calma; com a atenção de podar sempre da minha vinha aquilo que é somente folhagem inútil… e andar direto àquilo que é verdade, justiça, caridade, sobretudo caridade. Qualquer outro sistema para fazer, não se levantando e olhando para a afirmação pessoal, que logo se torna pesado e ridículo” (Cinisello Balsamo 2000, p. 497). Ele queria podar a sua vinha, afugentar a folhagem, podar. E alguns anos depois, junto ao término do seu longo serviço como Representante Pontifício, agora Patriarca de Veneza, assim escrevia: “Agora eu me encontro em pleno ministério direto da alma. Em verdade eu sempre acreditei que para um eclesiástico a diplomacia assim dita deve sempre ser permeada de espírito pastoral; caso contrário não conta nada e torna ridícula uma missão sagrada” (ibid., pp. 513-514). E isto é importante. Ouçam bem: quando na Nunciatura há um Secretário ou Núncio que não vai pelo caminho da santidade e se deixa envolver nas tantas formas, nas tantas maneiras de mundanismo espiritual se torna ridículo e todos riem dele. Por favor, não se tornem ridículos: ou santos ou retornem para as dioceses para ser pároco; mas não sejam ridículos na vida diplomática, onde para um sacerdote há tantos perigos para a vida espiritual.
Uma palavra gostaria de dizer também às Irmãs – obrigado! – que desenvolvem com espírito religioso e franciscano o seu serviço cotidiano em meio a vós. São aquelas boas Mães que vos acompanham com a oração, com as suas palavras simples e essenciais e, sobretudo, com o exemplo de fidelidade, de dedicação e de amor. Junto a elas gostaria de agradecer os leigos que trabalham na Casa. São presença escondida, mas importante e que permite a vocês viver com serenidade e compromisso o vosso tempo na Academia.
Queridos sacerdotes, desejo-vos levar o serviço à Santa Sé com o mesmo espírito do Beato João XXIII. Peço-vos para rezar por mim e confio-vos à proteção da Virgem Maria e de Santo Antônio Abade, vosso patrono. Acompanhe-vos a segurança do meu pensamento e a minha benção, que de coração estendo a todas as pessoas a vós queridas. Obrigado.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Eucaristia: O convite a sairmos do nosso individualismo

Cidade do Vaticano (RV) – O Ano da Fé proporcionou um evento histórico no último domingo: milhares de catedrais, igrejas e capelas em todo o mundo se uniram em Adoração Eucarística com o Papa Francisco, que presidiu a cerimônia na Basílica Vaticana.

A adoração durou uma hora, com os momentos de silêncio intercalados por orações e hinos. Duas foram as intenções propostas por Francisco: “Pela Igreja em todo o mundo” e “por todos aqueles que nas diversas partes do mundo vivem no sofrimento devido às novas formas de escravidão e são vítimas de guerras, do tráfico de pessoas, do narcotráfico e do trabalho escravo; pelas crianças e mulheres que são submetidas a qualquer tipo de violência; pelos desempregados, idosos, migrantes, sem-teto e presos”.

A diferença no fuso horário provocou uma situação curiosa, pois enquanto a Adoração tinha seu início na Itália às 17 horas, no Brasil era meio-dia, no Vietnã onze da noite, na Nova Zelândia três da manhã já de segunda-feira.

No Brasil, diversas Dioceses de norte o sul do país aderiram à iniciativa. Entre elas, as Arquidioceses de Brasília, Fortaleza, Salvador e Rio de Janeiro; Parintins, no coração da Amazônia, e lá no sul, como Erexim. Nossos amigos no Facebook também sintonizaram a Rádio Vaticano, e acompanharam através da internet, do rádio e da televisão. 

Em suas homilias, catequeses e discursos, o Papa tem insistido na necessidade de sairmos de nós mesmos para anunciar e testemunhar Jesus. E a Solenidade de Corpus Christi foi a ocasião para Francisco nos recordar que a Eucaristia é o Sacramento da comunhão, que nos faz sair do nosso individualismo para passarmos ao seguimento e à fé no Senhor.

Através da Eucaristia, nós experimentamos a solidariedade de Deus para com o homem, uma solidariedade que nunca se esgota e nunca deixa de nos maravilhar.

Nessa ótica, está também a Jornada Mundial da Juventude, que ao ter por tema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” oferece aos jovens a oportunidade de peregrinar, sair de casa, aprofundar a vida de fé e, consequentemente, deixar-se transformar pela ação do Espírito Santo. Eis o que disse a Silvonei José o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, ao comentar como o Ano da Fé será vivido na JMJ:

“A Jornada proporciona aos jovens momentos de oração, tanto nas catequeses como também nas igrejas que terão lugares de oração, nas confissões, momentos de mais silêncio, e na grande vigília de sábado à noite haverá momentos de oração, como tem a própria Eucaristia que é celebrada etc. A própria Jornada proporciona isso. Mas deve levar as pessoas a reverem cada vez mais a dimensão de fé, consciente: os jovens podem transformar o mundo para melhor quanto mais abrirem seus corações a Cristo, acolherem a Palavra de Deus, viverem sua vida de oração, deixando-se transformar pelo Senhor e, dessa forma, vivendo sua fé, terem a coragem de testemunhar Cristo Ressuscitado diante de seus coetâneos, da sua escola, do seu bairro, no seu país, na sua região. E uma Jornada traz isso consigo: o fato de peregrinar, de sair de casa, o fato de encontrar outros jovens que vivem a fé, leva os jovens a acolherem este dom na sua própria vida e a serem testemunhas de Cristo. O Ano da Fé nos ajuda a aprofundar essa vida de fé, ao mesmo tempo nos remete como missionários para evangelizar, para anunciar Jesus Cristo que, aliás, é o tema da Jornada, “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”. Quem vive a fé, quem segue a Cristo se torna missionário como consequência.”

Clique acima para ouvir a reportagem completa.



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/04/eucaristia:_o_convite_a_sairmos_do_nosso_individualismo/bra-698238
do site da Rádio Vaticano 

sábado, 1 de junho de 2013

02 junho 2013 – 9º Domingo do Tempo Comum – (Lc 7, 1-10)


“Eu não sou digno de entres em minha casa”
Tendo Jesus concluído todos seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum. Havia ali um oficial romano, que tinha um escravo muito estimado; o escravo estava muito mal, à beira da morte. Tendo ouvido falar de Jesus, enviou alguns chefes dos judeus para pedir-lhe que viesse salvar da morte seu escravo. Aproximando-se de Jesus, pediram-lhe com insistência, dizendo: “Ele merece que lhe faças o favor, pois ama nossa gente; ele mesmo foi quem construiu para nós a sinagoga”. Jesus se pôs a caminho com eles. Já estava perto da casa, quando o oficial enviou alguns amigos para lhe dizerem: “Senhor, não te incomodes, pois eu não sou digno de que entres em minha casa. Nem me julguei digno de ir a ti. Mas dize só uma palavra e meu escravo ficará curado. Pois eu também estou submisso à autoridade e tenho soldados a meu comando, e digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; a meu escravo: Faze isto, e ele o faz”. Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado com ele; voltou-se para a multidão que o seguia e disse: “Eu vos digo que nem em Israel encontrei tamanha fé”.e Ao voltar para casa, os enviados encontraram o escravo em perfeita saúde.
COMENTÁRIO
Este evangelho nos leva a refletir sobre uma frase que repetimos sistematicamente em nossas celebrações e, que nem sempre levamos em conta o significado destas palavras: “Senhor eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo!”
Estas palavras saíram da boca de um centurião do exército romano. O centurião era comandante de cem soldados (uma centúria), que patrulhava a Judéia. Sabe-se que ele era pagão, porém acreditava em Deus e participava dos ofícios religiosos judaicos.
Jesus ressalta a grande fé desse anônimo soldado e afirma que jamais vira tamanha fé, nem mesmo em Israel. Diante de sua atitude, podemos concluir também, que ele tinha grande estima por seu escravo, a quem chamava de servo, pois demonstrou grande preocupação ao vê-lo doente.
Preocupou-se, mas não se desesperou. Ele sabia onde poderia encontrar a cura para aquela pessoa que tanto amava. Jesus era a solução para o problema que enfrentava.  De imediato mandou alguns judeus conversarem com Jesus a fim de solicitarem seu auxílio.
Os judeus enviados a Jesus, antes mesmo de pedirem a ajuda esperada, puseram-se a ressaltar as qualidades do centurião. Falaram de sua presença ativa na comunidade, a ponto de construir-lhes uma sinagoga. Contaram tudo, de maneira bem detalhada esperando com isso que Jesus não iria negar auxilio a uma pessoa tão prestativa para sua comunidade.
A intercessão dos judeus, certamente foi importante, fez com que o Mestre se dispusesse a ir até a casa onde se encontrava o doente, entretanto, o que deixou Jesus extremamente feliz foi poder constatar o testemunho de humildade e de fé do centurião.
A fé, a confiança demonstrada aqui por alguém que somente havia ouvido falar em Jesus deve levar-nos a refletir sobre tantas dúvidas que acumulamos dentro de nós. Espero estar enganado, mas parece-me que fraquejamos com muita facilidade.
Nestes dois mil anos que se passaram já obtivemos milhares de provas do amor e da misericórdia de Deus e, mesmo assim, diante dos problemas diários, diante de uma doença, às vezes nem tão grave, nos desesperamos, não procuramos Jesus na Eucaristia e logo recorremos ao imediatismo.
O comodismo e a certeza de que o dinheiro é capaz, até mesmo, de comprar saúde e bem estar, fazem com que nos sintamos auto-suficientes. Acreditando que não dependemos de Deus saímos à procura dos milhares de vendedores de milagres e sucesso financeiro, facilmente encontrados em cada esquina. Essa atitude é uma ofensa ao nosso Deus e nos torna piores do que os pagãos.
Por isso, pedimos ao Pai Misericordioso que nos dê a graça de agir como o centurião deste evangelho. Que sejamos misericordiosos para com os menos favorecidos e verdadeiramente humildes para perceber que somos indignos de receber tantas graças em nosso dia a dia.
Rezemos juntos pedindo que os nossos olhos se abram para enxergar que tudo o que somos e que temos, são graças que o Deus misericordioso faz questão de nos conceder, apesar de não sermos merecedores.