quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ele está próximo...

Alegremo-nos! Vamos ao encontro do “Maravilhoso Conselheiro, do Príncipe da Paz” (Is 9,5), do Redentor que se aproxima.

Estão-se completando os dias (cf. Lc 2,6) daquele bendito e santo Nascimento que reviveremos nos mistérios da Noite Santa do Natal. Torne-se nossa vigilância mais intensa e nossa oração mais confiante.

Todos os anos somos convidados a resgatar o sentido pleno do Natal de Jesus, para vivê-lo como cristãos e cristãs, fugindo à mentalidade cada vez mais paganizada de nossa época. Não nos deixemos infectar ou contaminar pelo vírus do consumismo e do materialismo. Infelizmente, antes mesmo de iniciarmos o tempo litúrgico do Advento, enfeites natalinos e a voracidade consumista invadem nossas ruas, lojas e até nossos corações. Com isso, o Natal cristão vai-se transformando em simples recordação do nascimento de nosso Salvador.

Não obstante a mentalidade semipaganizada do Natal, a festa da Criança de Belém é um dom de luz que rasga e rompe as trevas da humanidade, prisioneira do pecado, incapaz de amar. O Natal do Senhor abre-nos a uma incontida alegria, de que ninguém sai ileso. A liturgia cristã é significado de festa,  porque “Deus está conosco”. Onde há vida, há alegria. A alegria causada pela vinda do Salvador é portadora de paz e de esperança.

Diante do presépio, ficamos tomados de ternura e exultação a contemplar enlevados o mistério de vida que encerra o amor infinito de Jesus Salvador. Por isso, vamos às pressas a Belém para ver o recém-nascido deitado na manjedoura (cf. Lc 2,15-16). Não fiquemos trancados em casa, prisioneiros de nossas trevas e negativismos. Vamos! Guiados pela Estrela, vamos com o coração alegre e feliz! Lá há uma Luz resplandecente que nos faz transcender o que vemos com os olhos da carne. Sim, os olhos da mente abrem os caminhos do coração, que permitem apreender e acolher a Verdade que nos liberta de todo mal. A Luz de Belém empenhar-nos-á em viver na liberdade e na dignidade de filhos e filhas de Deus. Fará com que abandonemos a noite do pecado, abrindo-nos para a graça da Vida nova, iluminados pela “Luz verdadeira, que vindo ao mundo, a todos ilumina” (Jo 1,9). A alegria completa nasce da Luz que resplandece num coração transparente, que não teme a escuridão da falsidade. Não se trata de uma alegria frenética causada pela droga, pelos paraísos artificiais e enganosos, pela embriaguez momentânea... Trata-se da embriaguez do Espírito que regenera e renova, trazendo paz e serenidade ao coração humano.

Estamos bem próximos da chegada do Deus Menino. Ninguém falte ao encontro marcado com Ele. A incomensurável distância percorrida por Deus para chegar até nós é razão suficiente para corrermos ao Seu encontro e sentirmos “que coisa é o ser humano, para dele te lembrares e o visitares” (Sl 8,5).

Na proximidade do Natal, não há motivo para angústias e temores. Fazendo espaço para Jesus nascer, o Natal será ocasião única para um encontro vivo, amigo e pessoal com Ele. Acolhamos Jesus Cristo, “concebido por obra do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria”. Acolher o Filho de Maria significa mostrá-Lo vivo, transparente em nós, visibilizando em nosso jeito de ser a Sua amabilidade, a Sua ternura, a Sua bondade e o Seu amor.

Dom Nelson Westrupp


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Breves reflexões sobre a Teologia e a espiritualidade do Advento.


Advento é tempo de gestação, de expectativa e de acolhimento. Esperar uma pessoa querida  requer cuidados e alegre preparação. Hoje, esperar Jesus no novo milênio é aguçar nossa sensibilidade para captar os inúmeros sinais que revelam a presença de Deus em nosso tempo; e intensificar nosso desejo de felicidade plena, de relações fraternas e duradouras, de justiça e de paz é afirmar profeticamente a esperança, superando todo o pessimismo e desencanto que nos abate e apressar o advento do Reino de Deus com nosso engajamento solidário nas lutas para transformar a vida e o coração de cada irmão e irmã. 
O Advento nos oferece não somente a certeza de que Jesus virá, mas também de que ele já veio e habita no  nosso meio, pois foi ai que construiu sua tenda; não é simples memória, retorno, repetição ou renovação do antigo. O Deus do Advento é o Deus da história que veio salvar a humanidade na pessoa de Jesus de Nazaré.Celebrando cada ano este mistério, reconhecemos o grande amor que Deus tem para conosco, mas também vamos amadurecendo no sentido de que para acolhê-lo frutuosamente na sua chegada é preciso estarmos atentos para reconhecê-lo.

Pe. Guillermo D. Micheletti ( Como Viver o Advento e o Natal )

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Imediatismo

" Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou..."

Vivemos numa sociedade imediatista, tudo é para ontem, ou no máximo para agora, o maior dos castigos é esperar. Esperar gera ansiedade,  soa como perca de tempo e dinheiro.
Vivemos num mundo capitalista, no qual o sucesso é medido pelos bens materiais que se tem, de preferência no menor tempo possível.
Muitas vezes, a sensação de não termos visto a semana, o mês e o ano passarem nos angustia, pois estamos tão envolvidos em produzir, no menor tempo possível, que a medida de tempo se torna diferente. O que se sente é culpa e falta de tempo.
Na sociedade de consumo, isto até pode ser aceitável por estar relacionado com o lucro e com o sucesso financeiro e profissional, mas quando o imediatismo invade as relacões humanas e o campo espiritual isso pode gerar distanciamento e frustração. Afinal, o que na vida não envolve espera?
No campo das emoções, imediatismo pode ser perigoso e nos levar a tomar decisões precipitadas. Casamentos se acabam porque muitos não dispensam tempo suficiente para alimentar um relacionamento saudável, e a decisão imediata é a separação. Assim se coloca um fim rápido no conflito e o resultado é imediato. Pais se distanciam dos filhos porque não há tempo para momentos em família. Não são poucos os que se distanciam da Igreja e alegam falta de tempo para a vida religiosa.
A organização do tempo é imprescindível para uma vida equilibrada, pois há tempo de trabalhar, mas também de colher os frutos do trabalho; há tempo de casar, mas também de viver o casamento; há tempo de ter filhos, mas também de curti-los. Tempo de pedir e tempo de agradecer os favores de Deus. Você é imediatista e quer tudo para ontem ou se programa para viver cada coisa em seu tempo?
O sábio rei Salomão nos ensina no livro de Eclesiastes 3,22: " Percebi que nada há de melhor para o homem do que alegra-se em suas obras, porque esta é a sua parte. Quem, aliás, poderá levá-lo a ver o que sucederá depois dele?"


Luciana Mendes " Revista de Aparecida"

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Espere em Deus

O desespero opõe-se a bondade de Deus e a sua justiça, porque o Senhor é fiel em suas promessas. Não perca a esperança!

'O desespero é o pecado contra a virtude da esperança', isso nos diz o catecismo.

Tem hora que o desespero bate, bate, mas ai precisamos nos lançar em Deus. Acreditando que Jesus preparou o vinho melhor para depois, imagine aquele casamento que o vinho acabou, mas sem desespero os serventes obedece a Virgem. E alegria daquele casamento foi completa, porque não perderam a esperança.

O melhor de Deus está preparado para mim e para você e ainda vai se manifestar. Deus tem no céu reservátorio de graça para você. Alimente em seu coração a virtude da esperançã, porque se não você irá até o Senhor com dúvidas.

O evangelho nos conta da mulher que sangrava e tocando em Jesus recebeu sua cura, pois ela não estava com o seu coração desperado, mas com o coração esperançoso, cheio de fé. E tocando Jesus, Jesus sentiu e perguntou quem me tocou? Porque era um toque diferente.

Espere em Deus os milagres, não perca a esperança.

Hoje não me desespero mais com a minha família que não é toda convertida, mas eu acredito que toda minha família será salva, mesmo contemplando o que eles vivem. Vivo com esta esperança que não me faz desanimar.

Deus está trabalhando na sua salvação e na dos seus. Muitos voltaram atrás porque perderam a virtude da esperança.

Quando você perder a esperança, você vai desistir do seu casamento e da realidade que você vive. 

O choro pode durar uma noite, mas alegria vem pela manhã. Tudo passa.

'Não queira fazer as coisas no seu tempo, pois você pode estragar tudo. Espera no Senhor e Ele tudo fará!'

Deus pode até tardar ao seu parecer, mas Ele não falha, na hora certa Ele agi. Se seu medo é a sua família não entre no céu, saiba que na hora de Deus a sua salvação chegará a sua casa, se eles não entrarem por esforço pessoal, você vai arrasta-los por causa da sua fé.

Precisamos viver em função de uma esperança, que é a esperança da vinda Gloriosa de Jesus. Se perdemos a esperança voltamos atrás e passamos fazer o que o diabo quer.
Há tantas pessoas que não comtlemplaram o milagrem, e volta atrás, mas se Deus está nos fazendo esperar, é para o nosso bem, porque Ele sabe o melhor, ele sabe o melhor tempo.

Não percam a esperança, acredite! Em Deus temos tudo!

O salmo 23 diz 'O Senhor é o meu pastor e nada me faltará', e se te falta algo, talvez porque o Senhor não tem sido o seu Senhor. Seja uma ovelha dócil, deixe Deus te conduzir, para que você não venha peder aquilo que Deus já preparou para você. Se você deixar Jesus ser pastor, Ele mesmo te dará a paz e o necessério. Não queira apressar o tempo de Deus. 

Espera no Senhor. Não é no seu tempo, é no tempo de de Deus que as coisas se realizará. Não queira fazer as coisas no seu tempo, pois você pode estragar tudo. Espera no Senhor e Ele tudo fará!

Padre Edmilson Lopes 
www.cancaonova.com

sábado, 19 de novembro de 2011

O Namoro Humano

O namoro é um encontro de duas pessoas. Encontro original, diferente, tocante, envolvente. Começa carregado de impulso, instinto, atração. Traz, porém consigo, horizontes maiores, surpresas arrebatadoras, descobertas e sonhos fascinantes. O namoro tem rumo, direção, objetivo. Não é um encontro qualquer. Não é epidérmico, nem destinado ao surfismo, à superficialidade, mas às profundezas e às alturas. 

No namoro encontram-se duas histórias, duas consciências, dois futuros, duas necessidades, duas diferenças, dois mistérios que irão se olhar, se acolher, dialogar, sorrir, desabafar, confidenciar, confiar, decidir e conviver. O namoro é porta de entrada em direção à vida, ao amor, à família, à paternidade. 

O namoro humano acontece mais na alma, no coração, na intenção, na consciência do que no corpo. Como é pobre, equivocada, vazia e frustrante a experiência do namoro onde só rola paixão, ciúme, sexo, transa. Egoísmo e imaturidade, despreparo e desconhecimento de si e do outro, fazem do namoro uma brincadeira erótica, cheia de enganos e desilusões. É preciso distinguir entre o que é gamar, gostar, amar. O coroamento do namoro é a decisão em contrair núpcias, formar família, transmitir e educar vidas e pessoas. 

Namoro não é passa tempo, não é programa de fim de semana, não é mera camaradagem, companheirismo, aproveitamento, curtição, muito menos fuga de casa, medo de sobrar, imitação da moda (todo mundo faz), busca de auto-afirmação. Namoro é conhecimento mútuo, partilha de vida, esperança em ser mais, tempo de crescimento e amadurecimento. 

O namoro verdadeiro é iluminado por um ideal, um valor objetivo, a realização de si e do outro. Pelo namoro as pessoas se preparam para a missão de ser esposos, de formar família e principalmente para responsabilidade e a beleza inaudita de serem pais de seus filhos. Muitos casamentos são forçados, apressados, imaturos, falsos, interesseiros, inseguros, despreparados porque o namoro e o noivado não foram além da carne, transformaram-se em erotismo, prazer, curtição, no sentido de “aproveitar a juventude”. Assim não pode dar certo. 

Somos pessoas frágeis, feridas, portadoras de condicionamentos, imaturidades e até portadores de patologias profundas. Não é pois aconselhável namorar cedo demais. Namoro precoce é um risco. Logo aparecem as brigas, ciúmes, dificuldades de diálogo e até falta de assunto. Começa o afastamento das boas amizades, isolamento, as rupturas com a família, o desleixo nos estudos. Deste modo o namoro acaba em sofrimento e desgaste que envolve muita gente. 

Precisamos devolver ao namoro o seu significado autêntico, livrá-lo da banalidade e de interesses egocêntricos. Namoro é uma experiência do amor humano que é visibilidade do amor de Deus pelo mundo. Se há alguém enamorado pela humanidade é Deus. Os namorados podem fazer uma grande experiência do amor de Deus através do namoro. O amor dos namorados ajuda-nos a descobrir o coração enamorado de Deus por seus filhos e filhas. É no namoro que está o início da educação de uma criança, e são colocados os alicerces de uma família estável, duradoura e feliz. Todos queremos ser decisivamente, autenticamente, pessoalmente amados. O caminho normal para esta experiência é o namoro que requer maturidade física, psicológica, ética e social. Namoro não é assunto privatizado, um relacionamento a dois, sem conseqüências para a vida. Pelo contrário, o que mais repercute na existência humana é o namoro porque é experiência de amor e caminho para a auto realização, para o bem da família e conseqüentemente da sociedade. 

Em nossos dias, a experiência sexual é cada vez mais precoce e fortemente influenciada pela pornografia via internet, celular etc., por outro lado, a permissividade sexual dos adultos recebe também o nome de namoro. Chegou a hora de restituir ao namoro seu autêntico significado, ou seja, uma etapa, uma experiência de amar e ser amado com exclusividade, fidelidade, respeito, pois, amar é querer o bem do outro, amor de benevolência.

Dom Orlando Brandes
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Quando o Natal é de verdade?

Entre luzes, enfeites, rituais e compras de ocasião, vem se tornando difícil saber qual é o verdadeiro Natal.

Existiriam dois natais?

O do "paraíso das compras" e o das Igrejas? 

O que dá presentes e o que só é "presença"?

O dos símbolos folclóricos e o do mistério? 

O da fé e o do consumo? 

O dilema questiona: como viver o Natal: com o romântico "papai-noel" ou na simplicidade do presépio? 

Tudo vai passar pelo crivo desse dilema: a conotação comercial da festa, a árvore enfeitada e colorida, a missa do galo, a reunião de família, a ceia natalina. E também aquela vaga boa vontade em ajudar os meninos de rua e os mendigos. 

Se de início as tradições natalinas fomentavam o espírito religioso; pouco a pouco foram sendo desvirtuadas por outros interesses. Personagem indefectível, embora importado do inverno europeu, o lendário "papai-noel" não representa mais o São Nicolau cristão. 

Hoje é apenas o chamariz da hora para aguçar a curiosidade das crianças, o seu apetite pêlos presentes e alavancar a propaganda. Os meios de comunicação enchem a mente com símbolos, imagens, emoções e mensagens para comemorar o Natal. Decorações exuberantes iluminam ruas e casas. 

Cria-se a "neurose" de gastar bem o 13° salário. Uma pessoa cristã mais consciente toma distância dessa compulsão e se inquieta: onde encontrar a simplicidade, o despojamen-to do primeiro Natal? 

Basta refletir com fé: Ele está no meio de nós! Ele é o "Deus conosco"! Cabe a nós viver o Natal com seu dono: Jesus! E sua verdade: O Verbo de Deus se fez homem! Contemplar o mistério na fé e rezá-lo: a sós, em família, e na igreja diante do presépio.

Essa é a maneira de libertar a festa das armadilhas montadas pela descrença de um Estado laico, e de uma sociedade egoísta. A despeito das contradições no modo de comemorá-lo, o mistério do Natal continua vivo:"Nasceu para vocês um Salvador que é o Messias, o Senhor!" (Lc 2,11). 

O Menino da manjedoura não sabia falar, mas já era o sinal da salvação de Deus para os pastores. Era a Palavra feita carne. Por uma criança a Palavra tocou nosso coração e nos deu a capacidade de falar com Deus.

Dialogando com sua Palavra, conhecendo seus ensinamentos e experimentando o amor de Jesus unidos numa comunidade fraterna, nós continuaremos sendo os legítimos depositários do Natal de verdade, num mundo que se envergonha de rezar. Por isso não crê. Não garante a justiça social. 

Não preza a ética nas relações políticas. Não respeita a dignidade da pessoa humana. Não promove nem defende a vida. 

Se formos cristãos autênticos, saberemos acolher no íntimo o Menino Deus e descobrir nele o conteúdo mais tocante da nossa fé. Ali está nosso Deus, tão próximo de nós no sorriso de uma criança. Quem poderia ter medo dele? 

Que Maria, a mãe, leve você a sentir a alegria que ela sentiu na simplicidade do presépio e no aconchego de sua ternura com Jesus. Desejo que você viva este Natal como uma questão de fé.




Pe. Antônio Clayton Sant´anna, C. SS. R.
Fonte: Revista de Aparecida

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

#Espírito Santo


O Espírito Santo vem sobre Jesus na forma de pomba. Os primeiros cristãos experienciam o Espírito Santo co uma unção curadora, uma água viva, uma tempestade ruidosa ou um fogo ardente.

O próprio Jesus designa-O por advogado, consolador, mestre e Espírito da Verdade. O Espírito Santo é dado nos sacramentos da Igreja, mediante a imposição das mãos e a unção com azeite.

A paz que Deus fez com a humanidade, depois do dilúvio, foi anunciada a Noé por uma pomba. A antiguidade pagã também a conheceu como metáfora do amor.

Por tal razão, os primeiros cristãos compreenderam imediatamente por que motivo o Espírito Santo, o amor de Deus feito pessoa, sobreveio a Jesus como uma pomba, quando Ele Se deixou batizar no Jordão.

Hoje, a pomba é o sinal da paz mundialmente reconhecido e um dos maiores símbolos da reconciliação do ser humano com Deus.[115]

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sentido da festa de Cristo Rei

A festa de Cristo Rei foi criada pelo papa Pio XI em 1925. Instituiu que fosse celebrada no último domingo de outubro. Agora, na reforma litúrgica passou ao último domingo do ano litúrgico como ponto de chegada de todo o mistério celebrado, para dar a entender que Ele é o fim para o qual se dirigem todas as coisas. 

A criação desta festa tinha uma conotação política de grandiosidade. Quem, dos mais antigos, não foi da Cruzada Eucarística? Roupinha branca, fita amarela com cruz e dois traços azuis para os melhores. Qual era o comprimento? - Viva Cristo! – Rei! Este amor a Cristo Rei sustentou os cristãos na perseguição do México. Quantos mártires não entregaram a vida proclamando: Viva Cristo Rei! Quem sabe nos falte uma definição maior para o Reino de Cristo. 

A oração da missa assim reza: “Deus que dispusestes restaurar todas as coisas em vosso Filho Amado, Rei do Universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade vos glorifiquem eternamente”. Vejamos os termos: Rei do Universo, vossa majestade. Para este sentido endereça a primeira leitura: A glória do Filho do Homem - “Seu poder é poder eterno que não lhe será tirado e seu reino, um reino que não se dissolverá” (Dn l7,14). Cristo com sua morte e ressurreição foi feito o Senhor da Glória. Seu Reino não tem fim.

Rei da Verdade. 

Mesmo que seja um reino, o é diferente dos reinos e governos do mundo. Jesus se proclama rei diante de Pilatos: “Tu és Rei?” Pergunta Pilatos diante no tribunal. “Tu o dizes, eu sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta minha voz” (Jo 18,37). Jesus é rei da verdade. Pilatos pergunta-lhe: “O que é a verdade?” Mas não espera a resposta. (É comum em nossa vida perguntar as coisas para Deus e não querer saber a resposta). O que é esta verdade que é a identificação com Ele próprio? “Eu sou a Verdade e a vida” (Jo 14,6). Ser verdade para Jesus é ser Ele próprio o testemunho da vontade do Pai: Estabelecer no mundo o domínio da misericórdia amorosa da qual o Pai é a fonte. “Graças a esta vontade é que somos salvos” (Hb 10.10). Durante sua vida procura unicamente fazer a vontade do Pai: “E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia” (Jo.6,39). 

Um reino de sacerdotes. 

Todo povo de Deus tem, como Cristo esta realeza. Esta é o domínio do amor que transforma o mundo. O amor é a primeira fonte da união com Deus. Ele faz de nossos gestos de serviço aos outros, da transformação das estruturas de escravidão em liberdade, um sacerdócio do povo de Deus e de cada um que santifica o universo. Ser cristão é já construir o reino de Cristo no mundo. A modalidade de construir este reino é o serviço fraterno, humilde como Cristo fez na sua morte que o glorificou. Unindo nossa vontade à sua e a vontade do Pai, podemos crer em verdade que Ele é Rei e Senhor. 

Leituras: Daniel 7,13-14; Apocalipse 1,5-8; João 18,33-37 

Contexto: 

1. A festa de Cristo Rei, instituída por Pio XI, tinha uma finalidade político-religiosa de mostrar o senhorio de Jesus sobre o mundo, acima das situações de ateísmo e falta de religião. Esta festa foi colocada, na reforma litúrgica, no final do ano litúrgico para dar a perceber que Cristo é o centro do universo e para Ele tudo conflui. 

2. Cristo, diante de Pilatos se declara rei da verdade. Ele conhece toda a verdade, por isso dá por ela a vida. A verdade é o desígnio do Pai de implantar no mundo o reino da misericórdia amorosa. 

3. Todo o povo de Deus é sacerdotal, isto é, está unido a Cristo para a transformação do mundo em um mundo que sirva a Deus no culto verdadeiro que procede de um coração que ama.


Eduardo Rocha Quintella
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domingo, 13 de novembro de 2011

Comunidades formadoras de discípulos

Quais iniciativas sua paróquia tem para oferecer formação religiosa ao povo, para que todos os batizados se tornem ardorosos discípulos de Jesus Cristo?

A paróquia é o espaço normal onde os batizados vivem a sua condição de discípulos de Jesus Cristo, onde expressam sua fé e se organizam para viver a caridade e testemunhar a esperança.

 É o lugar onde fazem a experiência pessoal e comunitária do encontro com Deus por meio de Jesus Cristo, no dom do Espírito Santo.

 Por isso, a paróquia tem a missão de formar nos caminhos do Evangelho todos os batizados para que permaneçam fiéis e unidos a Cristo e à Igreja e se tornem, de fato, missionários do Evangelho para o mundo.

Nesta missão de despertar e formar discípulos missionários de Jesus Cristo devem ser envolvidas todas as forças vivas da paróquia – pessoas, grupos, organizações e instituições; todas elas devem ser “lugares para a formação dos discípulos missionários” (cf.  DAp nn. 301-346).

 A paróquia, naturalmente, em comunhão com o Plano orgânico de pastoral da Arquidiocese, precisa pensar seu próprio processo evangelizador e missionário; indispensável é preparar pessoas para ajudar nesse processo; não faltam impulsos da Igreja para promover a renovação missionária das paróquias (cf .DAp nn. 276-286).

Destaque especial, no trabalho evangelizador da paróquia, deve ser dado ao processo de iniciação à vida cristã através de uma catequese eficaz, como recomendou a Conferência de Aparecida (cf. DAp nn. 286-300).

 A catequese, como processo contínuo de formação na fé, deve estender-se a todas as fases da vida da pessoa. 

É importante tomar consciência sobre o que já existe e o que falta, para que os fiéis recebam formação cristã ao longo do ano e nas diversas etapas da vida.

 Deve ser nossa preocupação constante a superação do “analfabetismo religioso” em nossa Igreja.

 A experiência feliz e confortadora da fé seja incentivo à busca do esclarecimento e ao conhecimento das verdades fundamentais da fé e da moral, da liturgia e da oração.

 A Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica precisam tornar-se referência e companhia constante para os católicos e nossas comunidades.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Libertar-se...


Outro dia estava pensando: como nos acostumamos com as coisas! Vivemos situações. Convivemos com pessoas. E às vezes não notamos que acabamos acostumando-nos com certos elementos em nossas vidas. Como assim? Somos feitos de sentimentos, vontades, pensamentos e crenças. Porém, são coisas que mudam o tempo todo. 

Como dizia o filósofo Heráclito: “nunca entramos no mesmo rio por duas vezes”, porque na segunda vez, nem nós e nem o rio somos mais os mesmos. Parece estranho, mas a vida passa e muda tudo, dentro e fora de nós. O que nos faz bem e satisfaz-nos hoje, não fará o mesmo necessariamente no dia seguinte. E não é pessimismo de minha parte. O tempo simplesmente não pára. E este mesmo tempo que muda nossa exterior, mexe também com o nosso interior.

Aqui encontramos outro ponto. Se as coisas mudam com tanta facilidade, precisamos aprender a trabalhar isto. Se tudo muda, se tudo flui, precisamos saber perdoar. Isto mesmo, perdoar. Mas não no sentido usual desta palavra. A palavra perdoar tem outro sentido diferente de esquecer ou ter misericórdia. Perdoar significa também jogar fora. Libertar-se. E libertar-se não o mesmo que esquecer. Quem liberta lembra, no entanto, não se prende mais. Não insiste demais. Esquecer consome muita mais energia do que libertar algo de nossas vidas. E não gera obrigatoriamente resultados melhores.

Aprender a perdoar. Entender que é preciso libertar coisas e pessoas de nossas vidas. Eis algo que vale a pena pensar. O quanto deixamos de viver por insistir com algo que essencialmente não tem futuro algum? Quantas pessoas esperam algo que não podemos oferecer? Quantos objetos e lembranças nos prendem a um passado, que não volta e nem nos acrescenta nada? 

É preciso perdoar! É preciso libertar-se! É preciso jogar fora tudo o que nos prende e nos limita! Falo isto porque a vida é cheia de oportunidades. Ou antes, é feita de oportunidades. E muitas vezes insistimos em coisas que não são nossas. Ou que apenas entraram em nossas vidas momentaneamente. E o que é realmente nosso, passa... Ou sequer descobrimos que é nosso. Nos caminhos da vida existem portas que levam a lugares que somente nós podemos ir. Mas é preciso buscar! É preciso procurar! É preciso tentar! E para tudo isto, é preciso alguma liberdade. 

E você? Não está preso (a) a algo ou alguém? Não há nada te impedindo de buscar coisas que realmente te realizem? Viver é ter coragem de arriscar e buscar o que é nosso. Algumas coisas passam e voltam. Porém, outras não voltam mais. É preciso ter coragem! E é necessário tentar! Existem muitas portas fechadas para cada um de nós. Todavia, algumas estão apenas esperando para serem abertas. E então? Vai tentar abrir alguma? Ou vai simplesmente deixar tudo como está? A escolha é sua, e somente sua...
Por: Adriano José Gonçalves
Paróquia Santuário de São Judas Tadeu 
Sete Lagoas - Minas Gerais

terça-feira, 8 de novembro de 2011

PIPOCAS DA VIDA...

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser 
milho para sempre. Assim acontece com a gente. 
As grandes transformações acontecem quando 
passamos pelo fogo. 

Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida 
inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza 
assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu 
jeito de ser é o melhor jeito de ser. 

Mas, de repente, vem o fogo. 
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que 
nunca imaginamos: a dor. 

Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um 
filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. 

Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, 
depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. 

Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! 
Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a 
possibilidade da grande transformação também. 

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, 
lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora 
chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada 
em si mesma, ela não pode imaginar um destino 
diferente para si. Não pode imaginar a transformação 
que está sendo preparada para ela. A pipoca não 
imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso 
prévio, pelo poder do fogo a grande transformação 
acontece: BUM! 

E ela aparece como uma outra coisa completamente 
diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. 
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca 
que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas 
que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. 
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa 
do que o jeito delas serem. 

A presunção e o medo são a dura casca do milho 
que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, 
já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se 
transformar na flor branca, macia e nutritiva. 

Não vão dar alegria para ninguém. 


Extraído do livro O amor que acende a lua, de Rubem Alves.

#Morte

Na morte, separam-se o corpo e a alma. O corpo decompõem-se, enquanto a alma vai ao encontro de Deus e espera que, no Juízo Final, seja unida ao seu corpo ressucitado.
O como da ressurreição do nosso corpo é um mistério. Pode ajudar-nos a entende-lo a seguinte metáfora: observando um bolbo de tulipa, podemos reconhecer para quão belíssima flor ele se envolverá na terra escura. Do mesmo modo, não sabemos nada sobre o aspecto futuro do nosso corpo novo. São Paulo está, contudo, seguro: “Semeado desprezível, ressucita glorioso.” (1Cor 15, 43a)
Cristo nos ajuda na morte, se confiarmos n’Ele, vindo o nosso encontro e introduzindo-nos na Vida eterna. “ Não é a morte que me vai buscar, mas Deus.” (Santa Tereza de Lisieux)
Tendo em conta o sofrimento e a morte de Jesus, a nossa morte pode tornar-se mais ligeira. Num ato de confiança e de amor ao Pai, podemos dizer “sim” como Jesus fez no monte das Oliveiras. Uma tal compostura chama-se “sacrifício espiritual”: aquele que morre une-se ao sacrifício de Jesus na cruz. Quem morre assim, numa confiança em Deus e em paz com os outros, ou seja, sem pecado grave, está no caminho para a comunhão com Cristo ressuscitado. A nossa morte não nos faz cair mais fundo que nas Suas mãos. Quem não viaja para “nenhures”, mas regressa à casa do amor de Deus, o seu Criador.[154 - 155]

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Os dogmas da igreja católica

Saber sobre a Doutrina Católica é o primeiro passo para segui-la. Como dissemos que somos católicos se não sabemos o que rege essa religião? Não são meras “regras”, mas caminhos a serem seguidos, auxílios no entendimento do sagrado, os quais são fundamentais para termos um encontro maior com Deus. Sendo assim, a base dogmática da Igreja Católica Apostólica Romana está no Credo que é professado nas Missas e ele pode ser visto em assuntos bem distintos, como mostra o esquema abaixo.

Lembro que essa singela lista traz alguns temas, sendo assim, você precisa ter o Catecismo da Igreja Católica para poder ter um pleno conhecimento sobre esses e outros importantes tema sobre a Fé, a Bíblia, Jesus Cristo, a tradição e a Igreja. 

Dogmas sobre Deus 

- A Existência de Deus 
- A Existência de Deus como Objeto de Fé 
- A Unicidade de Deus 
- Deus é Eterno 
- Santíssima Trindade

Dogmas sobre Jesus Cristo
- Jesus Cristo é verdadeiro Deus e filho de Deus por essência 
- Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam 
- Cada uma das duas naturezas em Cristo possui uma própria vontade física e uma própria operação física 
- Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho natural de Deus 
- Cristo imolou-se a si mesmo na cruz como verdadeiro e próprio sacrifício 
- Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do sacrifício de sua morte na cruz 
- Ao terceiro dia depois de sua morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os mortos 
- Cristo subiu em corpo e alma aos céus e está sentado à direita de Deus Pai

Dogmas sobre a Criação do Mundo
- Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada  
- Caráter temporal do mundo 
- Conservação do mundo 

Dogmas sobre o Ser Humano
- O homem é formado por corpo material e alma espiritual 
- O pecado de Adão se propaga a todos seus descendentes por geração, não por imitação 
- O homem caído não pode redimir-se a si próprio 

Dogmas Marianos
- A Imaculada Conceição de Maria 
- Maria, Mãe de Deus 
- A Assunção de Maria 
- A Virgindade de Maria

Dogmas sobre o Papa e a Igreja
- A Igreja foi fundada pelo Deus e Homem, Jesus Cristo 
- Cristo constituiu o Apóstolo São Pedro como primeiro entre os Apóstolos e como cabeça visível de toda Igreja, conferindo-lhe imediata e pessoalmente o primado de jurisdição 
- O Papa possui o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda Igreja, não somente em coisas de fé e costumes, mas também na disciplina e governo da Igreja 
- O Papa é infalível sempre que se pronuncia ex catedra 
- A Igreja é infalível quando faz definição em matéria de fé e costumes 
 
Dogmas sobre os Sacramentos
- O Batismo é verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo 
- A Confirmação é verdadeiro e próprio Sacramento 
- A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo 
- A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e é necessária para a salvação 
- A Eucaristia é verdadeiro Sacramento instituído por Cristo 
- Cristo está presente no sacramento do altar pela Transubstanciação de toda a substância do pão em seu corpo e toda substância do vinho em seu sangue 
- A Unção dos enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo 
- A Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo 
- O matrimônio é verdadeiro e próprio Sacramento 
  

Dogmas sobre as Últimas Coisas (Escatologia)
- A Morte e sua origem 
- O Céu (Paraíso) 
- O Inferno 
- O Purgatório 
- O Fim do mundo e a Segunda Vinda de Cristo 
- A Ressurreição dos Mortos no Último Dia 
- O Juízo Universal


Por: Juberto Santos
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domingo, 6 de novembro de 2011

O Sinal da Cruz

Quando fizeres o sinal da Cruz, faze-o bem feito. Não tão depressa e contraído que ninguém o saiba interpretar. Uma verdadeira cruz, pausada, ampla, da fronte ao peito, do ombro esquerdo ao direito. Não sentes como te abraça por inteiro? Procura recolher-te; concentra nela teus pensamentos e teu coração enquanto a vais traçando da fronte ao peito e aos ombros e verás que te envolve o corpo e a alma, se apossa de ti, te consagra e santifica.

E por quê? Porque é sinal de totalidade e sinal de redenção. Na cruz o Senhor redimiu a todos e pela cruz santifica o ser humano até sua última fibra. Por isso a fazemos ao começar a oração, para que ordene e componha nosso interior, encaminhando a Deus pensamentos, afetos, desejos e, ao terminá-la, para que ele nos fortaleça; nos perigos, para que nos defenda; na bênção, para que, penetrando a plenitude de vida divina em nossa alma, fecunde quanto nela exista.

Considera estas coisas sempre que faças o sinal da Cruz. Sinal mais sagrado não existe. Faze-o bem: pausado, amplo, com esmero. Então ele abraçará plenamente teu ser, corpo e alma, pensamento e vontade, sentido e sentimento, atos e ocupações; e tudo ficará nele fortalecido, assinalado e consagrado no poder de Cristo e em nome do Deus uno e trino.

Autor: Romano Guardini