terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Que tal um pouco de "esmola espiritual" nesta Quaresma?

Quando falamos de esmola, como é fácil esquecer daqueles que têm tudo, menos o fundamental!

Depois da alegria do Natal, a Igreja se prepara para a celebração do acontecimento mais extraordinário da história do universo, acima inclusive do Big Bang, que, segundo os cientistas, deu origem a tudo o que existe: a Ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Esta celebração é precedida por um tempo especial que, se bem aproveitado, traz imensos benefícios espirituais aos que o levam a sério e de maneira disciplinada: a Quaresma. Quando ouvimos falar dela, talvez nos venham à mente ideias nem sempre claras do seu real significado espiritual, como "peixe sim, carne não", ideias do senso comum.
 
Há três verbos que marcam o sentido do tempo da Quaresma: jejuar, orar e compartilhar. De fato, na Quarta-Feira de Cinzas, lemos um trecho do Evangelho de Mateus (cap. 6) no qual Jesus nos recorda a importância destas três atitudes purificantes e purificadoras que nos ajudam a ser melhores humanos e cristãos.
 
O que às vezes se esquece é que estas três atitudes estão unidas tão intimamente, que uma sem a outra é impossível: quem jejua e não ora só está passando fome; quem jejua e não compartilha só está economizando dinheiro; quem compartilha e não ora só faz filantropia; quem ora e não compartilha tem um diálogo egoísta com Deus.
 
O papa emérito Bento XVI, em sua mensagem para a Quaresma de 2012, menciona uma passagem da Carta aos Hebreus (10, 24) e, retomando as palavras do autor sagrado, recorda a necessidade de "prestarmos atenção uns nos outros". Mas, além disso, ele nos convida a pensar que esse olhar que repousa no outro não é só para ver os momentos de carência material, mas também o vazio espiritual e a possibilidade de perder a salvação.
 
Quando pensamos na Quaresma, pensamos em solidariedade; lembramos de milhares de pessoas prejudicadas pelas catástrofes naturais, dos mais carentes, dos que foram vítimas de violência. Mas pensamos pouco nas outras pessoas: naquelas, que, tendo tudo, não têm Jesus em seu coração.
 
Provavelmente, pensamos que "isso não é problema meu" e que cada um deve encontrar seu caminho de salvação. Mas até neste ponto a Bíblia, que é Palavra de Deus, nos ensina a necessidade e a obrigação de orar e velar uns pelos outros. Não rezamos o Pai-Nosso no plural, mesmo estando sozinhos? Preste atenção nesta oração ensinada por Jesus e você descobrirá que cada petição é elaborada de tal forma que, quando pedimos, não o fazemos só por nós, mas pelos outros também.
 
Às vezes, o respeito humano e o temor nos levam a fazer vista grossa diante do pecado dos outros, e pensamos: "Que cada um faça da sua vida o que bem entender; eu não me intrometo na vida de ninguém e ninguém se intromete na minha". Esta indiferença precisa ser arrancada de nós nesta Quaresma e para sempre, porque, ainda que seja necessário respeitar a individualidade e privacidade do outro, também precisamos ser conscientes de que, se Deus nos permitiu ver ou conhecer o pecado dos outros, não é para que o divulguemos ou difamemos os outros, mas para que façamos algo por eles, para que os ajudemos a encontrar o caminho certo.
 
É preciso ser astutos como as serpentes e mais sagazes que os filhos das trevas, a quem sobra imaginação para o mal. Ao pensar na maneira de viver a Quaresma, não nos dediquemos exclusivamente a fazer doações para paliar o sofrimento físico das pessoas (é claro que isso é importante!), mas pensemos também naqueles que não precisam do nosso dinheiro, mas sim de uma palavra de estímulo, um ombro amigo, alguém que seja capaz de corrigi-los com amor.
 
Já não é suficiente buscar só a solidariedade econômica, mas também a solidariedade

http://www.aleteia.org/

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