sábado, 30 de maio de 2015

31 de Maio – Santíssima Trindade

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo!”
Evangelho: (Mt 28, 16-20)
Os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Logo que o viram prostraram-se; alguns, porém, duvidaram. Então Jesus se aproximou e lhes disse: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei. Eis que eu estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo”.

Comentário
Hoje, de modo especial, comemoramos o Nosso Deus Uno e Trino. Celebramos a grande festa da Santíssima Trindade. Vamos irradiar a felicidade que este dia nos traz, mostrando ao mundo a alegria de ser batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 
O texto de hoje apresenta o último trecho do evangelho de Mateus. Jesus, a única autoridade entre Deus e os homens, dá aos discípulos esta ordem: "Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos".
Veja se você consegue entender: os discípulos foram ao local combinado; eles viram Jesus, ajoelharam-se diante dele e, mesmo assim, alguns duvidaram. Como demoraram para entender... e como nós também demoramos para perceber a presença de Jesus nos intimando a dar continuidade à sua obra.
"Eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo". Estas palavras devem nos estimular, devem servir de alavanca para nos levar a assumir a evangelização. Assumir a nossa herança batismal de levar aos povos a Boa Nova da presença de Deus entre nós.
Jesus continua presente entre nós, presente em nossos lares e na comunidade. É uma presença invisível, mas real, concreta. Jesus está presente na sua Palavra e na Eucaristia.
Jesus está sempre presente em nossas vidas, no nosso trabalho, em nossos momentos de oração, nos momentos felizes e, principalmente, nas horas de angústia. Sempre ao nosso lado, assim ele prometeu, assim ele cumpre.
Jesus é uma presença constante, está sempre ao lado de sua Igreja. É importante lembrar que Jesus está presente no nosso próximo. Presente, sobretudo, naqueles que sofrem. Sua presença é marcante nos pobres, nos humildes e nos pequenos. Quem quer de fato encontrar Jesus, deve procurá-lo entre os fracos e pequeninos.
“Ele está no meio de nós!” Com muita convicção recitamos estas palavras nas nossas celebrações. Jesus continua presente em nossa vida, na história e nos acontecimentos do nosso dia-a-dia. O Senhor da história e da vida deixou-nos a missão de anunciar aos povos a boa nova da salvação, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.                
O Sacramento do Batismo nos incorpora à Cristo e à sua Igreja. O batismo nos confere a missão de propagar o evangelho e testemunhar o amor do Pai que está manifestado em Seu Filho Jesus.
É o Espírito Santo quem nos sustenta nessa missão, é quem nos dá forças, esperança e alegria. Com muita fibra, com perseverança, vamos viver e ensinar ao mundo tudo aquilo que Jesus ordenou. O mundo precisa aprender a praticar a justiça e a caridade em favor dos pobres e marginalizados. O mundo precisa de amor. 
Jorge Lorente

sábado, 16 de maio de 2015

17 de Maio – Ascensão do Senhor

“O Senhor foi elevado ao Céu e sentou-se à direita do Pai!”
Evangelho: (Mc 16, 15-20)

Jesus disse os seus discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo. Mas quem não crer será condenado. Os sinais que acompanharão os que crerem são estes: em meu nome expulsarão demônios a, falarão línguas novas, pegarão serpentes e, se beberem veneno, não lhes fará mal. Imporão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados”. Depois de lhes falar, o Senhor Jesus foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus. Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a Palavra com os sinais que a
 acompanhavam.


Comentário

Hoje é um dia muito importante para os cristãos, pois festejamos a Ascensão de Jesus ao céu. No evangelho de hoje, Marcos nos diz que Jesus foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus.

Essa expressão vem dos costumes das cortes reais. Jesus tem seu lugar de honra, junto ao Pai. Sentar-se ao lado do rei é um privilégio de seus filhos e parentes próximos. O lado direito é reservado ao sucessor imediato do soberano.
Jesus subiu ao céu e confiou aos seus discípulos a missão de pregar o evangelho a todo mundo. Confirmou também que em seu nome, eles fariam milagres e, acima de tudo, Jesus prometeu que eles estariam protegidos dos animais ferozes e preservados dos ataques e ciladas dos inimigos.
Os moradores das grandes cidades devem estar se perguntando: “quem são em nossos dias esses animais ferozes? Onde encontrá-los? Nas grandes metrópoles não existem animais ferozes!”
Existem sim, e são encontrados com muita facilidade, principalmente nas grandes metrópoles. Em cada esquina tem um. São aqueles que não querem que a Palavra de Deus seja conhecida e amada. São aqueles que arrastam nossos filhos para os vícios e prostituição. Mas. Jesus prometeu que estará sempre por perto nos auxiliando nessa batalha.
É preciso acreditar, pois quem acreditar e for batizado já está salvo. No entanto, acreditar não se resume apenas em aceitar, como sendo verdadeira, a Palavra de Deus, é preciso viver sua Palavra através de ações e gestos concretos. 
Pelo batismo nos tornamos missionários. Cabe a cada um de nós levarmos adiante a missão de Jesus. Nós somos os apóstolos de hoje, somos os portadores da mensagem de libertação para toda a humanidade.
O discípulo de Jesus não pode ficar apenas olhando para o céu chateado e chorando a ausência do Mestre que se foi. É preciso olhar ao redor. Jesus não se foi, Ele está aqui, bem próximo de nós. Na verdade, Jesus mal tirou seus pés do chão e está bem mais baixo do que imaginamos.
Da maneira humana como enxergamos as coisas, olhamos para as nuvens e imaginamos que o céu é um local bem acima delas. Por isso, convencionamos que subir ao céu é ir para um local distante, muito alto, inacessível.
Para o cristão, subir pode ser interpretado como subir o morro... escalar as encostas escorregadias, caminhar por vielas tortuosas e visitar o favelado. Significa aproximar-se de um mundo de crianças sem roupa nem comida, um mundo de idosos sem saúde nem remédios.
O Mestre quer ver-nos subindo todos os andares dos hospitais e asilos. Quer ver-nos levando alento e conforto aos que sofrem. Levando uma palavra de fé, de amor e de otimismo aos excluídos e marginalizados. Com os pés no chão vamos à luta! Só assim receberemos o passaporte para subirmos ao céu.
Para o alto devemos dirigir somente nossas orações. O olhar e a atenção devem estar voltados para a terra e para a história. Não podemos esquecer que Jesus está próximo e exige nossa presença neste mundo tão carente de dignidade, de justiça e de paz. 
Jorge Lorente

sexta-feira, 8 de maio de 2015

10 de Maio – 6o Domingo da Páscoa

“Como o Pai me amou, assim também eu vos amei!”Evangelho: (Jo 15, 9-17)

Disse Jesus: “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, como eu também guardei os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas para que minha alegria esteja convosco, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando. Já não vos chamo escravos, porque o escravo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi. Eu vos destinei para irdes dar fruto e para que vosso fruto permaneça, a fim de que ele vos dê tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome. É isto que eu vos mando: que vos ameis uns aos outros”

Comentário
Ainda estamos no tempo pascal, período em que a Liturgia nos apresenta uma série de relatos sobre a Ressurreição de Jesus, como forma de ressaltar a vitória do amor sobre a morte.
O evangelho de hoje é marcado pela ternura de Jesus para com seus discípulos e com todos os seus seguidores. Jesus fala de forma carinhosa, pede união, manda permanecer no amor. Manda guardar e viver seus mandamentos.
Este Evangelho é marcado por uma série de orientações que devem levar-nos a meditar profundamente. Parece que Jesus quis dizer, de uma só vez, tudo o que Ele pensava e trazia em seu coração; tudo aquilo que a humanidade deveria ouvir e guardar.

Jesus quer mostrar que nossa obrigação como cristãos resume-se em fazer tudo o que Ele fez. Jesus ama o Pai, com todas as suas forças, desde sempre. Jesus permanece no amor a Deus.
Permanecer no amor de Deus é guardar os seus mandamentos. Viver no amor de Jesus é a maior e única alegria que podemos ter nesta vida. Uma coisa é certa, se vivermos esse amor aqui, agora, vamos também viver esse imenso amor na eternidade.
A lei de Jesus é clara, simples e sem complicações; basta amar. Quem cumpre essa lei está em dia com Deus. Quem não ama não pode dizer que é cristão. Em sua Primeira Carta, São João chama de mentiroso quem diz que ama a Deus, mas não ama ao próximo.
A intensidade do amor é proporcional. Jesus faz questão de afirmar que nos ama com o mesmo amor que o Pai tem por Ele. Nem mais, nem menos, esse é o maior grau de amor que existe. É o Amor Amizade, o amor gratuito.
Essa gratuidade é ressaltada por Jesus quando nos chama de amigos. O cristão de verdade conhece Jesus na intimidade, sabe tudo sobre ele, por isso, é o seu grande amigo. Jesus também nos conhece na intimidade, sabe das nossas limitações, das nossas falhas e, mesmo assim, quer ser nosso amigo.
Como é bom ser chamado de amigo. A amizade faz crescer, aproxima, leva à partilha, à divisão dos bens e à multiplicação do pão. O amor rompe barreiras, derruba as cercas que isolam e excluem.
Quem faz por medo ou por obrigação é o servo. O amigo faz tudo por amor. Amizade sincera é sinônimo de amor. Amor não é uma coisa distante ou fora do nosso alcance. O amor é construído com as pequenas coisas do dia-a-dia.
Construir o amor é descer do pedestal, nivelar-se, tornar-se humilde, tolerante e paciente. Esses são alguns dos ingredientes que compõem o amor.
A mensagem de Jesus no evangelho de hoje é tão rica que teríamos assunto para conversar o dia todo, porém para encerrar vamos relembrar só mais algumas das suas palavras: “Não foram vocês que me escolheram, eu escolhi vocês”.
Pelo privilégio de termos sido escolhidos por Jesus, como gesto concreto, vamos permanecer unidos à Videira e produzir muitos frutos. Só assim teremos a certeza da Glória Eterna, pois o cristão unido a Jesus jamais será lançado ao fogo.
Jorge Lorente

sexta-feira, 24 de abril de 2015

26 de Abril – 4º Domingo de Páscoa

"Eu sou o Bom Pastor!"Evangelho: (Jo 10, 11-18)

Naquele tempo, disse Jesus: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, de quem não são as ovelhas, quando vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge. Então o lobo ataca e dispersa as ovelhas. Assim age porque é mercenário e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas. Possuo ainda outras ovelhas que não são deste curral. É preciso que eu as conduza; elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. O Pai me ama porque dou minha vida para de novo a retomar. Ninguém a tira de mim. Sou eu mesmo que a dou. Tenho o poder de dá-la e o poder de retomá-la. Esta é a ordem que recebi do meu Pai”.


COMENTÁRIO

A liturgia de hoje nos apresenta uma imagem de Jesus como o Bom Pastor. Aquele que dá a vida por suas ovelhas. O pastor e seu rebanho eram realidades comuns na vida do povo, no tempo de Jesus.
Este relato nos mostra a intimidade, o afeto entre o pastor e as ovelhas. Percebemos que existe entre eles um amor e uma confiança muito grande. Jesus nos diz que as ovelhas não seguem um estranho.
Seguem só o seu pastor, porque conhecem a sua voz. Conhecer, na Bíblia, tem um significado muito profundo, conhecer significa amar. Quem conhece confia e, verdadeiramente, ama.
Jesus deixa bem clara a diferença entre o bom e o falso pastor. Este último vem só para roubar, destruir e matar. Por isso é comparado ao ladrão. O Bom Pastor, pelo contrário, preocupa-se com a vida. Vem para que todos tenham vida plena e em abundância.
O pastor é o líder e, cada um de nós, de um modo ou de outro, exercemos cargo de liderança. Seja no trabalho, na família ou na comunidade. De forma permanente ou em certas ocasiões, nós somos os líderes. Na parábola do bom pastor Jesus alerta sobre como estão sendo vividas as relações de liderança.
Quando a liderança deixa de ser serviço para tornar-se poder, ela oprime e destrói. A liderança torna-se ladra e salteadora. O líder não pode ser autoritário. Liderar é conduzir para o caminho certo.
Quando exercemos algum cargo de liderança, sobretudo nas funções públicas e na comunidade da igreja, precisamos estar próximos das pessoas. É fundamental conhecer suas necessidades, compreendê-las, amá-las e partilhar com elas a vida.
A vida deve ser entendida no sentido amplo. O amor e a partilha devem estar presentes na vida comunitária, na vida religiosa, na vida familiar e também na vida profissional.
Em qualquer caso, o autoritarismo, a negligência e o abandono, são nocivos e levam à morte. Matam a religiosidade e a comunidade, matam a família. As ovelhas conhecem a voz do seu pastor, confiam e deixam-se levar. Sabem que serão conduzidas, em segurança, para verdes pastagens e água abundante.
Quantos se apresentam como pastores, falam até em nome de Cristo e, no entanto, defendem a violência. Não estão preocupados com a paz, com a liberdade, com a dignidade e, muito menos com o abandono que se encontram as crianças, doentes e idosos. Não têm a menor preocupação com o desemprego que ameaça suas ovelhas.
Cuidado com os falsos pastores. Eles têm a voz muito parecida com a do verdadeiro pastor. Fazem uso dos meios de comunicação. Sobem em palanques, fazem discursos inflamados e estão presentes no rádio, na tevê, nos jornais e revistas.
Estão presentes no nosso dia-a-dia disfarçados de bons pastores. É preciso estar atentos e abrir bem os ouvidos, para não sermos enganados. Não podemos seguir a qualquer um, vamos seguir o Bom Pastor!
Como reconhecê-lo? O Bom Pastor não é reconhecido por falar manso e de forma poética, Ele é reconhecido pelas verdades que diz; são palavras nem sempre doces, porém verdadeiras.
Jorge Lorente

sábado, 21 de março de 2015

22 de Março – 5º Domingo da Quaresma

"Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim!"Evangelho: (Jo 12, 20-33)

Entre os que tinham ido à festa para adorar a Deus, havia alguns gregos. Eles se aproximaram de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e disseram: Senhor, queremos ver Jesus. Filipe falou com André; e os dois foram falar com Jesus. Jesus respondeu para eles, dizendo: Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. Eu garanto a vocês: se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muito fruto. Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo, vai conservá-la para a vida eterna. Se alguém quer servir a mim, que me siga. E onde eu estiver, aí também estará o meu servo. Se alguém serve a mim, o Pai o honrará. Agora estou muito perturbado. E o que vou dizer? Pai, livra-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, manifesta a glória do teu nome! Então veio uma voz do céu: Eu manifestei a glória do meu nome, e vou manifestá-la de novo. A multidão que aí estava ouviu a voz, e dizia que tinha sido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que falou com ele. Jesus disse: Essa voz não falou por causa de mim, mas por causa de vocês. Agora é o julgamento deste mundo. Agora o príncipe deste mundo vai ser expulso e, quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim. Jesus assim falava para indicar com que morte ia morrer.

COMENTÁRIO

Já estamos no quinto domingo da quaresma. Estamos nos aproximando da Semana Santa, a semana da Glória do Senhor. Semana em que Jesus, ao ser elevado da terra, nos atrai para si.
No evangelho de hoje, Jesus está na cidade de Jerusalém, em meio a uma grande multidão que o procura. Alguns gregos pedem ajuda ao discípulo de Jesus, pois querem ver Jesus de perto. Achavam que com o auxílio de Filipe e André, seria mais fácil aproximar-se do Mestre.
Certamente os apóstolos devem ter discutido entre si, se atenderiam ou não ao pedido daqueles homens. Não eram judeus por isso, eram considerados impuros. Deveriam ser mantidos à margem da sociedade.
Jesus percebendo a intenção dos seus discípulos resolve mostrar para todos que veio para unir. Quis mostrar que no seu Reino não existe espaço para divisão, nem distinção de raça, nação ou cor.
Jesus vai direto ao assunto. Quer que todos entendam que está falando de si próprio. "Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, continua sendo somente um grão de trigo, nada mais"- diz Ele.
Com essa comparação Jesus quer dizer que Ele é o trigo. Ele é a Semente que deve morrer para poder ressuscitar, germinar, florir e produzir o fruto da salvação da humanidade.
O grão de trigo simboliza também a nossa vida cristã. A semente que existe em cada um de nós, não foi feita para ser guardada. Tem que se transformar, tem que morrer para então explodir e reviver.
Não adianta tentar preservar a vida eternamente. Quem tentar guardá-la vai perdê-la. A semente tem seu período de fertilidade. Por melhor que seja a embalagem, mesmo estando hermeticamente fechada, um dia vai perder a validade e irá deteriorar-se.
O evangelho de hoje nos lembra que estamos vivendo a Campanha da Fraternidade. Jesus disse: “Eu vim para servir!” Aqueles gregos, pediram ajuda, queriam ver Jesus e receberam Dele uma recepção igual, ou melhor, do que aquela reservada aos judeus.
Aproximação! Esse é o apelo que Jesus nos faz hoje e sempre. Mais do que nunca, é preciso aproximar-se e dar as mãos. É preciso mortificar-se para levar vida aos irmãos sem distinção de raça, classe social ou religião.
"Se alguém quer servir, siga-me e se alguém me serve, meu Pai o honrará". Mas como servir a Jesus, onde encontrá-lo? A resposta Ele mesmo nos deixou; no próximo, no doente, no deficiente! Esse é o preço da glória. Através do irmão, no ato de servir, e no doar-se, recebemos as honras do Pai. Como é bom receber honras e ser glorificado.
Isso é o que mais queremos, no entanto, nos sentimos angustiados, com medo de morrer por essa causa. Mas o que fazer? Como pedir ao Pai para livrar-nos dessa hora, se foi justamente por causa dessa hora que também nós viemos?!
Coragem, nós não estamos sós! Jesus caminha conosco, nos ampara, fortalece e dá sentido, até mesmo, ao próprio sofrimento.
Jorge Lorente

sábado, 14 de março de 2015

15 de Março – 4º Domingo da Quaresma

"Quem pratica a verdade se aproxima da Luz!”
Evangelho: (Jo 3,14-21)
Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, do mesmo modo é preciso que o Filho do Homem seja levantado. Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna. Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele. Quem acredita nele, não está condenado; quem não acredita, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. O julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal, tem ódio da luz, e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam desmascaradas. Mas, quem age conforme a verdade, se aproxima da luz, para que suas ações sejam vistas, porque são feitas como Deus quer.
COMENTÁRIO
Estamos iniciando uma nova semana. Gosto da palavra novo. Novo quer dizer novidade, coisa diferente, mudança... Viver o novo é deixar de lado tudo que é ultrapassado e obsoleto.
Todo início é um desafio e deve ser motivo para meditação. Por isso, viver o novo pode ser descômodo e preocupante. Não ficamos muito a vontade no novo emprego, na nova sala de aula ou na piscina do novo clube. Relutamos em aceitar as mudanças. Quer queira, quer não, bate no peito aquela saudade do tradicional.
Viver de saudade é parar no tempo. Seja um novo mês, um novo ano ou um novo dia; sempre é hora de recomeçar, é a grande chance para iniciar ou aprimorar hoje, aquilo que já deveríamos ter concluído ontem. 

Neste evangelho, Jesus também nos fala de algo novo. Ao mencionar o antigo testamento e traçar um comparativo entre a serpente levantada por Moisés, num poste no deserto, Jesus nos apresenta o jeito novo de curar. 

Jesus se compara com a serpente de bronze que foi levantada por Moisés. Essa serpente tinha o poder de curar as pessoas, mordidas por cobras no deserto. Quem olhasse para a serpente, ficava curado, não era afetado pelo veneno, tinha sua vida preservada e não morria.

No entanto, a salvação não acontecia automaticamente. Não bastava simplesmente olhar para a serpente de bronze, era preciso olhar com fé e acreditar na misericórdia e no poder divino. Assim também é com Jesus que, por amor, aceitou ser levantado na cruz para nos salvar. 

Ao ser erguido na cruz, Jesus nos reconcilia com Deus. Com sua morte e ressurreição nos livra do veneno do pecado e nos dá vida nova. Para 
Jesus, a cruz tem sentido de Glória. Sua Paixão e morte têm um sabor especial. Ser levantado significa ser exaltado, ser glorificado. 

Assim como a serpente, não basta olhar para o Cristo crucificado. É preciso acreditar e divulgar que ali está a Salvação, o Fruto da Nova e Eterna Aliança. Jesus é o novo, é a Grande Novidade do Pai. E, como já dissemos, tudo que é novo exige mudanças.

Mudar é tão difícil quanto seguir os caminhos de Jesus. Para mudar é preciso, primeiramente, renunciar ao tradicional, ao rotineiro e ao saudosismo. É preciso soltar-se das amarras e lutar por um mundo novo. Só assim, renovados, poderemos sair das trevas e caminhar na Luz. 

Caminhar na Luz é viver o amor e a verdade. É transformar em realidade e gestos concretos a solidariedade e a fraternidade. O Filho de Deus não veio para condenar, veio para salvar e nos retirar das trevas. Jesus é a Luz que tudo cura.

Caminhar ao Seu lado é bem mais seguro, tudo é claro e não existem tropeços.
Jorge Lorente

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A oração tem o poder de movimentar o céu

"Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta!" (Mateus 7,7).
Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, hoje, o Senhor nos ensina, neste tempo de graça que nós vivemos, a fazermos oração com a vida e a transformarmos a vida em oração.

Para isso, a primeira coisa a ser observada é que ter vida de oração é ter vida de confiança e de entrega no coração e nos braços de Deus. É ter a certeza de que, tudo aquilo que pedimos a Deus, Ele nos escuta. E se não nos dá algo do jeito que queremos ou achamos que precisamos, podemos ter certeza de que o Senhor cuida do melhor de nós e para nós.

Deus não se esquece de nós e quando nos colocamos nas mãos d'Ele, Ele vê mais adiante, olha além dos horizontes e enxerga aquilo que nós não conseguimos enxergar. Por isso, a oração precisa ser, antes de tudo, a oração da confiança, a oração de entrega e de abandono no Senhor. A oração de ter a certeza de que temos um Pai que cuida de nós.

A oração da desconfiança não chega a Deus, a oração do coração que não confia e pensa: "Eu vou pedir isso a Deus, mas não sei se vou conseguir". Ou: "Vou pedir isso a Deus, mas tem que ser assim". O filho pede, mas o pai dá mais do que este pede. Da mesma forma, Deus Pai cuida primeiramente do objetivo final para que nenhum de nós se perca nem esteja longe d'Ele. Por isso, muitas vezes, as coisas materiais que pedimos ao Senhor vão nos afastar d'Ele e nos tornar pessoas mais distantes, porque toda espécie de materialismo tira a vida espiritual de nós, cria aflições e preocupações desnecessárias para a vida. Por isso, nem sempre, o material pedido e encomendado ao Senhor vai ser recebido.

Deus cuida das nossas necessidades. Algumas vezes, suplicamos a Deus: "Senhor, cura-me. O Senhor curou a tantos". Deus ouve, cura, liberta, mas, sobretudo, Ele guarda o nosso coração para aquela vida em que não existe mais nem doença, nem enfermidade.

Então, muitas vezes, a pessoa que queríamos perto de nós e sobre a qual dissemos: "Eu pedi tanto a Deus, supliquei tanto a Ele, parece que Deus não me ouviu". Na verdade, Deus nos ouviu além do que precisávamos, além do que necessitávamos.

Confiar em Deus é colocar n'Ele a nossa inteira confiança, certos de que Ele saberá cuidar de nós, porque o Senhor diz que, tudo o que queremos que os outros façam a nós, somos nós quem devemos fazer a eles.

Não deve ser só o "venha a nós o vosso reino"; é preciso que eu o faça acontecer dando o melhor de mim ao outro. Se eu não gosto que façam determinada coisa comigo, eu não devo fazê-la com os outros. Da mesma forma, se eu quero muito que as pessoas me tratem bem, cuidem de mim e me ajudem, é assim que eu tenho que fazer com os outros.

Que a minha vida seja reflexo da minha oração e que a minha oração contenha toda a minha vida!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
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