sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Viva a Mãe de Deus e Nossa



Viva a mãe de Deus e nossa,
Sem pecado concebida!
Viva a Virgem Imaculada,
A Senhora Aparecida!

Aqui estão vossos devotos,
Cheios de fé incendida,
De conforto e de esperança,
Ó Senhora Aparecida!

Virgem santa, Virgem bela,
Mãe amável, Mãe querida,
Amparai-nos, socorrei-nos,
Ó Senhora Aparecida.

Protegei a santa igreja,
Ó Mãe terna e compadecida,
Protegei a nossa Pátria,
Ó Senhora Aparecida!

Amparai todo o clero,
Em sua terrena lida,
Para o bem dos pecadores,
Ó Senhora Aparecida!

Velai por nossas famílias,
Pela infância desvalida,
Pelo povo Brasileiro,
Ó Senhora Aparecida!

Joanna



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Papa abre o Ano da Fé: “Redescobrir a alegria de crer!”


Exatamente cinquenta anos depois da abertura do Concílio Vaticano II, o Papa celebrou na manhã desta quinta-feira, 11, a abertura do Ano da Fé, por ele convocado com o objetivo da Nova Evangelização e com o olhar dirigido ao futuro e ao novo legado do Concílio.
Celebração da abertura do ano da Fé
Bento XVI presidu a Missa com um total de 400 concelebrantes: 80 cardeais, 14 padres conciliares, 8 patriarcas de Igrejas orientais, 191 arcebispos e bispos sinodais e 104 Presidentes de Conferências Episcopais de todo o mundo. Estavam também presentes na Praça São Pedro Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla, e o Primaz da Comunhão Anglicana, Rowan Williams.
O Papa iniciou sua homilia explicando que a celebração desta manhã foi enriquecida com alguns sinais específicos: a procissão inicial, recordando a memorável entrada solene dos padres conciliares nesta Basílica; a entronização do Evangeliário, cópia do utilizado durante o Concílio; e a entrega, no final da celebração, das sete mensagens finais do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica.
Bento XVI disse que o Ano da fé tem uma relação coerente com todo o caminho da Igreja ao longo dos últimos 50 anos: desde o Concílio, passando pelo Magistério do Servo de Deus Paulo VI, que proclamou um “Ano da Fé”, em 1967, até chegar ao o Grande Jubileu do ano 2000, com o qual o Bem-Aventurado João Paulo II propôs novamente a toda a humanidade Jesus Cristo como único Salvador, ontem, hoje e sempre.
Lembrando aquele dia, Bento XVI evocou o Bem-Aventurado João XXIII no Discurso de Abertura do Concílio Vaticano II, quando apresentou sua finalidade principal: “que o depósito sagrado da doutrina cristã fosse guardado e ensinado de forma mais eficaz”. Papa Ratzinger revelou aos presentes o que experimentou: “uma tensão emocionante em relação à tarefa de fazer resplandecer a verdade e a beleza da fé no nosso tempo, sem sacrificá-la frente às exigências do presente, nem mantê-la presa ao passado”.
Multidão reunida junto com Bento XVI para a Celebração de abertura do ano da Fé
Para o Papa, o mais importante, especialmente numa ocasião tão significativa como a atual, é reavivar na Igreja “aquela mesma tensão positiva, aquele desejo ardente de anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo, sempre apoiado na base concreta e precisa, que são os documentos do Concílio Vaticano II”.
“A referência aos documentos protege dos extremos tanto de nostalgias anacrônicas como de avanços excessivos, permitindo captar a novidade na continuidade. O Concílio não excogitou nada de novo em matéria de fé, nem quis substituir aquilo que existia antes. Pelo contrário, preocupou-se em fazer com que a mesma fé continue a ser vivida no presente, continue a ser uma fé viva em um mundo em mudança”.
De fato – prosseguiu o Pontífice – “os Padres conciliares quiseram abrir-se com confiança ao diálogo com o mundo moderno justamente porque eles estavam seguros da sua fé, da rocha firme em que se apoiavam. Contudo, nos anos seguintes, muitos acolheram acriticamente a mentalidade dominante, questionando os próprios fundamentos do ‘depositum fidei’ a qual infelizmente já não consideravam como própria diante daquilo que tinham por verdade”.
Portanto, “se a Igreja hoje propõe um novo Ano da Fé e a nova evangelização, não é para prestar honras, mas porque é necessário, mais ainda do que há 50 anos!” – exclamou. “Nas últimas décadas, observamos o avanço de uma “desertificação” espiritual, mas, no entanto, é precisamente a partir da experiência deste vazio que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós homens e mulheres. E no deserto existe, sobretudo, necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança. A fé vivida abre o coração à Graça de Deus, que liberta do pessimismo”.
Este, portanto – concluiu Bento XVI – é o modo como podemos representar este ano da Fé: “uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas – como o Senhor exorta aos Apóstolos ao enviá-los em missão – mas sim o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II são uma expressão luminosa, assim como o Catecismo da Igreja Católica, publicado há 20 anos“.
Por fim, o Papa recordou que no dia 11 de outubro de 1962, celebrava-se a festa de Santa Maria, Mãe de Deus. “Que a Virgem Maria brilhe sempre qual estrela no caminho da nova evangelização. Que Ela nos ajude a pôr em prática a exortação do Apóstolo Paulo: ‘A palavra de Cristo, em toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros, com toda a sabedoria… Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus. Por meio dele dai graças a Deus Pai’”.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Papel da mulher na Igreja é tema do Sínodo nesta quarta-feira


Na manhã desta quarta-feira, 10, terceiro dia de atividades do Sínodo geral sobre a nova evangelização, os trabalhos, em andamento no Vaticano, se realizaram a portas fechadas. Na programação, a primeira sessão dos círculos menores e, na parte da tarde, retomada a discussão geral com o pronunciamento do arcebispo de Cantuária, Dr. Rowan Williams, para ilustrar o desafio da nova evangelização do ponto de vista anglicano.

Verbum Domini

Na tarde de terça-feira, por sua vez, grande destaque para o amplo pronunciamento do prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet. De fato, o purpurado apresentou um relatório sobre o acolhimento, no mundo, da Exortação apostólica de Bento XVI "Verbum Domini", publicada dois anos atrás e fruto do Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, realizado em 2008.

Mais de 200 mil cópias difundidas em várias línguas: a difusão da Verbum Domini foi ampla no mundo inteiro. Mas o elemento de maior satisfação encontra-se no entusiasmo crescente dos fiéis pela Lectio Divina, sempre mais praticada nos ambientes mais diversificados, explicou o Cardeal Ouellet.

Ademais, percursos formativos são oferecidos pelas dioceses ou pelas comunidades para apoiar esse modo de encontrar Deus mediante a Sagrada Escritura.

Outros resultados positivos encontram-se na animação bíblica, sobretudo nas paróquias: o purpurado destacou numerosas Semanas ou Anos bíblicos organizados pelas Igrejas locais, bem como eventos de literatura ininterrupta da Palavra de Deus.

Destaque também para a iniciativa dos bispos estadunidenses que fizeram um guia homilético para sacerdotes e diáconos como resposta à Verbum Domini. Organizou-se também um Festival da pregação.

Também o setor científico expressou apreço pela Exortação apostólica, definida "o mais importante documento eclesial sobre a Sagrada Escritura após o Vaticano II, e que levou a um crescimento da colaboração entre pastores, teólogos e exegetas, contribuindo também para o acolhimento do livro do Papa dedicado a Jesus de Nazaré.

Foi também central a reflexão teológica e antropológica da Exortação apostólica, que afirma: o homem foi criado pela Palavra de Deus e é, portanto, filho de Deus em Cristo.

Por fim, o Cardeal Ouellet colocou a Verbum Domini em estreita relação com a nova evangelização: de fato, a Exortação apostólica se conclui com uma oração a fim de que o Espírito Santo suscite "zelosos anunciadores e testemunhas do Evangelho", tema principal do Sínodo atual.

Mulheres na Igreja

Ainda na tarde desta terça-feira, a Assembléia dos bispos refletiu sobre numerosos temas, dentre os quais o papel das mulheres: na Igreja – afirmou-se na Sala do Sínodo – elas representam dois terços do total de membros e, no entanto, muitas delas se sentem discriminadas.

Mas é preciso afirmar com clareza – reiterou o Sínodo – que se a Igreja não faz a ordenação sacerdotal de mulheres, não é porque elas são menos capazes ou menos dignas, mas somente porque o sacerdote é um representante de Cristo, vindo para esposar a humanidade.

Em seguida, destacou-se como fundamental a contribuição consistente das mulheres para a evangelização, e gestos fortes deveriam indicar isso claramente, porque – ressaltaram os Padres sinodais – sem mulheres felizes, reconhecidas em sua essência e orgulhosas de sua pertença à Igreja, não haverá a nova evangelização.

Fé e cultura

O Sínodo recordou, ainda, a importância da nova evangelização também no âmbito ecológico – porque ela implica o respeito por todos os seres vivos – e do diálogo entre fé e cultura, na busca de pontos de encontro com aqueles que estão abertos à verdade e comprometidos na busca do bem comum.

Nesse sentido, uma grande ajuda é dada pelas paróquias, que não devem ser somente centros de serviços espirituais, mas devem "constituir redes" a fim de que as comunidades e os grupos de fiéis se sintam realmente discípulos missionários de Cristo.

O desafio, no fundo, é fazer compreender ao mundo que a fé cristã não está em contradição com a razão humana. Daí, a exortação a evangelizar mediante um testemunho de fé que ajude o homem a enfrentar, por exemplo, o drama da morte graças a uma cultura da vida que explique o seu sentido.

A esse propósito, os Padres sinodais recordaram as palavras do Cardeal Emmanuel Célestin Suhard, iniciador da missão na França: "Não se trata de obrigar o mundo a entrar na Igreja assim como ela é, mas de fazer uma Igreja capaz de acolher o mundo assim como ele é".

Documentário sobre o Concílio Vaticano II 

Por fim, no início da noite foi feita na Sala do Sínodo uma projeção especial: os participantes da Assembléia assistiram a uma versão sintética do documentário-filme sobre o Concílio Vaticano II, realizado pelo Pontifício Conselho das Comunicações Sociais e por Micromegas Comunicação, graças às imagens inéditas da Filomteca Vaticana.

A distribuição mundial do documentário será feita a partir desta quinta-feira, 11, dia da abertura do Ano da Fé, convocado por Bento XVI justamente para comemorar o 50º aniversário conciliar.

Rádio Vaticano

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ano da Fé


Tendo em vista a nova Evangelização para a transmissão da fé cristã, Bento XVI convoca um Sínodo em Roma, de 7 a 28 de outubro. Sínodo significa caminhar juntos em direção à mesma meta. Na esperança de intensificar a ação evangelizadora, o Papa abre o Ano da Fé no dia 11 próximo, estendendo-se até 30 de novembro de 2013. Também a Arquidiocese da Paraíba celebra um Sínodo em memória dos 100 anos de serviço evangelizador, avaliando a qualidade de nossa ação.

O Ano da Fé traduz a preocupação da Igreja Católica que enfrenta o distanciamento de milhares de cristãos batizados. A pergunta fundamental sobre a crise de fé é: por que os cristãos abandonam a Igreja? Isso significa que abandonam a fé? Será que os cristãos buscam a felicidade, como se o amor de Deus e ao próximo não mais importasse? Será que estamos vivenciando uma espécie de ateísmo?

A sociedade de consumo condiciona a vida e as escolhas das pessoas. Os valores que brotam da fé cristã não coincidem com a busca da felicidade apresentada pelos padrões ordenados pela sociedade atual. Excetuando a legítima luta pela sobrevivência pessoal e familiar, a sociedade de consumo induz as pessoas à excessiva preocupação consigo mesmas. Vive-se um clima acentuado de individualismo e autossuficiência. Exemplos: leva-se vantagem sobre os outros; casais se unem por um tempo e decidem não gerar filhos; a preocupação geral é ganhar dinheiro para gozar a vida; o interesse pelas coisas substitui o interesse pelas pessoas. Dá-se mais importância a um cão de estimação do que por melhorias de condições de vida dos empobrecidos e descartados da sociedade. É isso aí…

Os valores da fé são suplantados pela busca do prazer de viver até que Deus se encarregue de sacudir a vida da gente com alguma prova. Deus não desiste de nós. Seu amor para conosco é incomensurável. A fé é dom de Deus. A fé leva os filhos e filhas de Deus a buscarem a felicidade na fraternidade solidária, aberta aos outros. A fé nos abre horizontes de esperança e amor a Deus e aos semelhantes. A fé é dom de Deus que aviva a sua imagem em nós. Duvida-se se alguém encontraria o sentido da existência sem amar seus semelhantes. A fé é acompanhada de amor e de esperança. A fé nos faz sair do egoísmo e nos leva ao encontro dos outros.

Será que a fé cristã tende ao desaparecimento? Dando por descontada a interpretação da fé deste ou daquele credo religioso, evitemos confundir fé e religião. O pressuposto da fé cristã reside no dom que recebemos de Deus. A fé é dom divino, transcendente, sobrenatural. A fé não depende da minha opinião. Não sou eu quem cria a fé. Deus vem ao meu encontro e me concede gratuitamente o dom da fé. Deus ilumina todo ser humano que vem a este mundo. Deus tem cada ser humano como seu filho e filha. Se os valores da fé cristã não incidem na vida e no comportamento das pessoas, talvez seja porque muitos cristãos batizados não são orientados e acompanhados na fé. Os valores decorrentes do Evangelho de Jesus talvez sejam abstratamente conhecidos, mas pouco praticados na vida.

Por Dom Aldo Pagotto – Arcebispo Metropolitano da Paraíba

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Vocação


Falamos muito de vocação. Quando dizemos que alguém tem vocação, afinal o que queremos dizer? A palavra vocação vem do verbo no latim "vocare"(chama?). Assim vocação significa chamado. É, pois, um chamado de Deus. Se há alguém que chama, deve haver outro que escuta q responde.

A vida de todo ser humano é um dom de Deus."Somos obra de Deus, criados em Cristo Jesus"(Ef 2,10). Existimos, vivemos, pensamos, amamos, nos alegramos, sofremos, nos relacionamos, conquistamos nossa liberdade diante do mundo que nos cerca e diante de nós mesmos.

Não somos uma existência lançada ao absurdo. Somos criaturas de Deus.

Não existe homem que não seja convidado ou chamado por Deus a viver na liberdade, que possa conviver, servir a Deus através do relacionamento fraternal com os outros.

Você é uma vocação. Você é um chamado.

Encontramos na Bíblia muitos chamados feitos por Deus: Abraão, Moisés, os profetas... Em todas as escolhas, encontramos:
  • Deus chama dlretamente, pela mediação de fatos e acontecimentos, ou pelas pessoas.
  • Deus toma a Iniciativa de chamar.
  • Escolhe livremente e permite total liberdade de resposta.
  • Deus chama em vista de uma missão de serviço ao povo.
Vocação é o encontro de duas liberdades:
  • a de Deus que chama
  • a do Homem que responde
Podemos fazer uma distinção entre os chamados: vocação à existência, vocação humana, vocação cristã e vocação específica, uma sobrepondo-se à outra.

Vocação à existência -À vida

Foi o primeiro momento forte em que Deus manifestou todo o seu amor a cada um de nós. Deus nos amou e nos quis participantes de seu projeto de criação como coordenadores responsáveis por tudo o que existe. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. A vida é a grande vocação. Deus chama para a vida, e Jesus afirma que veio para que todos a tenham em abundância. (Jo 10,10)

Vocação humana - Ser gente, ser pessoa

Foi nos dada a condição da "liberdade dos filhos de Deus", inteligência e vontade. Estabelecemos uma comunhão com o Criador e, nessa atitude dialogai, somos pessoas. A pessoa aprende a conviver, a dialogar, enfim, a se relacionar. Todos têm direitos e deveres recíprocos.
Infelizmente, a obra-prima do Criador anda muito desprezada: enquanto uns têm condições e oportunidades, outros vivem na miséria, sem condições básicas para ressaltar a dignidade com que foram constituídos. No mundo da exclusão acontece a "desumanização"'e pode-se perder a condição de pessoa humana.

Vocação cristã - Vocação de filho, de batizado

Todo batizado recebeu a graça de fazer parte do povo eleito por Deus, de sua Igreja. Através da vocação cristã, somos chamados à santidade, vocação à perfeição, recebendo a mesma fé pela justiça de Deus. Fomos, portanto, eleitos e chamados pessoalmente por Cristo para ser, como cristãos, testemunhas e seguidores do Mestre Jesus. Chamados â fé pelo batismo, a pessoa humana foi qualificada de outra forma. Assim todos fazem parte do "reino de sacerdotes, profetas e reis". (1 Pd 2,9)

Toda pessoa batizada tornou-se um seguidor de Cristo, participante de uma comunidade de fé que pode ser chamada para participar da obra de Deus, como membro de sua Igreja, seguindo caminhos diferentes:

Vocação laical (no matrimônio /no celibato / solteiro - apóstolo)

l Assim todo cristão solteiro ou casado, batizado em Cristo, tornando-' se membro da sua Igreja, é convocado a ser apóstolo, anunciador do l Reino de Deus, exercendo funções temporais. O leigo vive na l secularidade e exerce sua missão insubstituível nos ofícios e trabalhos l deste mundo. O Concilio Vaticano II sublinhou que a vocação e a missão l do leigo "contribuem para a santificação do mundo, como fermento na \ massa'. (LG31)

Vocação ao ministério ordenado (diácono, padre e bispo)

É uma vocação de carisma particular, é graça, mas passa pela mediação da Igreja particular, pois as vocações são destinadas à Igreja. Acontece num acompanhamento sistemático, amadurecendo as motivações reais da opção. O ministro ordenado preside e coordena os serviços da comunidade. Por intermédio dos sacramentos, celebra a presença de Deus no meio do seu povo. O presbítero é enviado a pastorear e animar a comunidade. Ele é o bom pastor que guia, alimenta, defende e conhece as ovelhas. "Isto exige humanidade, caráter íntegro e maduro, virtudes morais sólidas e personalidade madura". (OT 11)

Vocação à vida consagrada  (ser irmão religioso ou irmã religiosa / vida ativa ou contemplativa)

O religioso é chamado a testemunhar Cristo de uma maneira radical, vivendo uma consagração total nos votos de pobreza, castidade e obediência. Com a pobreza, vivem mais livres dos bens temporais, tornando-se disponíveis para Deus, para a Igreja e para os irmãos. Com a castidade, vivem o amor sem exclusividade, sendo sinal do mundo l futuro que há de vir. Com a obediência, imitam a Cristo obediente e fiel à vontade do Pai.

Textos bíblicos
Mateus 25,14-30; João 14, 5 - 7
Leia estes textos com calma, um de cada vez, procurando trazê-los para a sua vida.

Precisamos distinguir bem vocação de profissão, pois não são exatamente a mesma coisa. Veja o quadro abaixo e observe a distinção entre uma e outra:
Profissão
Vocação
1 . aptidão ou escolha pessoal para exercer um trabalho1. chamado de Deus para uma missão, que se origina na pessoa como reação-aspiração do ser
2. preocupação principal: o "ter", o sustento da vida2. preocupação exclusiva: "o ser" , o amor e o serviço
3. pode ser trocada3. é para sempre
4. é exercida em determinadas horas4. é vivida 24 horas por dia
5. tem remuneração5. não tem remuneração ou salário
6. tem aposentadoria6. não tem aposentadoria
7. quando não é exercida, falta o necessário para viver7. vive da providência divina
8. na profissão eu faço8. ha vocação eu vivo

A profissão dignifica a pessoa quando é exercida com amor, espírito de serviço e responsabilidade. A vocação vivida na fidelidade e na alegria confere ao exercício da profissão uma beleza particular, é o caminho de santidade.


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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

São Francisco Homem livre, servo de Deus



Pela graça de Deus tornei-me um homem livre e um servo do Deus Altíssimo". Quem assim falou foi o filho de Pedro Bernardone na hora em que tomava a mais corajosa decisão de sua vida: seguir "o Cristo pobre e crucificado". Passados mais de oito séculos do seu nascimento, a presença de Francisco de Assis continua viva na História, sempre lembrando esse "Cristo pobre e crucificado" e atraindo para si novos e numerosos seguidores. A comemoração de sua festa, na próxima segunda-feira, dia 4, nos convida a refletir sobre a vida desse grande santo e a atualidade de seus ensinamentos.

Homem livre e servo de Deus, tudo o que ele foi. Livre e servo são as virtudes dominantes de seu perfil de santidade. Tudo o que ele testemunhou resume-se em que não há ninguém mais livre do que aquele que faz a opção de servir a Deus. Segundo o Evangelho, ser livre não consiste em não depender de ninguém. Ser livre é aceitar depender de quem se ama.

Amar a Deus sobre todas as coisas é depender senão dele. Por toda parte Francisco repetia: "O amor não é amado". Entregava-se radicalmente a esse Amor e por isso experimentou a verdadeira "liberdade dos filhos de Deus".

No mundo de hoje, é cada vez maior a fome de liberdade, mas em nome dela armam-se os homens, oprime-se o fraco, pratica-se a injustiça, gozam-se os prazeres da vida. Francisco amava uma liberdade que lhe permitiu construir a comunhão consigo mesmo, pela aceitação das próprias limitações que o levaram a tratar até mesmo a morte com o carinhoso nome de irmã.

Amava a liberdade que lhe permitiu construir a comunhão com as criaturas do universo: o irmão sol, a irmã lua, as irmãs estrelas, o irmão vento, a irmã nuvem, a irmã água, o irmão fogo, a irmã terra. Amava a liberdade que lhe permitiu construir a comunhão com o outro. Só Deus merece maior amor que o próximo, seja pecador, inimigo, ladrão; o leproso é imagem de Cristo; todo frade é um irmão, um filho e também mãe; há uma simpatia em cada pessoa. Finalmente amava uma liberdade que lhe permitiu construir a comunhão com Deus, aquele que simplesmente é pai, criador, altíssimo, o grande outro, o único desejável do coração humano. E foi quando se tornou livre que ele conseguiu amar e, assim, construir a comunhão consigo mesmo, com as criaturas, com o outro e com Deus.

A verdadeira conversão produz uma sensação de rompimento de algemas e cadeias e o sabor de libertação. Isto aconteceu com Francisco. Andava a cavalo num de seus passeios e de repente deparou-se com um leproso que, naquele tempo, costumava viver banido da convivência da sociedade. 

No primeiro momento, reagiu movido pela repugnância, mas logo seu coração sentiu algo mais. Viu no leproso o próprio Cristo. Desmontou do cavalo, foi ao encontro do homem e beijou-lhe a mão. convencido de que beijava a mão do próprio Cristo. 

No leproso viu alguém maior do que ele. Não lhe deu apenas uma esmola; deu a sua própria pessoa. Aí está o que é ser santo: é ser mais do que um herói. Herói é aquele que faz o que está no poder do homem. O santo, aquele que faz o que está no poder de Deus. O herói não tem a força do santo para beijar um leproso.

O poder de Deus, e somente ele, nos permite também fazer a opção pêlos pobres e é para esta opção que nos arrasta o exemplo do Poverello de Assis, que procurou viver, até as últimas conseqüências, "o Cristo pobre e crucificado". Para ele a pobreza, antes de significar a não-posse de bens, indica uma vida de partilha com os outros e, particularmente, com os últimos da sociedade. Nele admiramos o discípulo que não se envergonhou do Mestre e foi quem melhor o imitou na vivência da pobreza.

Um dia Francisco foi interpelado por irmão Masseo: "Por que tu? Por que todo mundo corre atrás de ti? Parece que todo mundo quer ver-te, quer obedecer-te. Não tens beleza, não és sábio, nem nobre! Como se explica isso?" Francisco respondeu com simplicidade: "Sabes, irmão Masseo, sabes por que todo mundo corre atrás de mim? É porque o Senhor não encontrou uma criatura mais miserável que eu para a obra admirável que Ele quer realizar. Foi por isso que Ele me escolheu. É para confundir a grandeza, a força, a beleza e a sabedoria".

Hoje podemos levantar a mesma pergunta: "Por que tu, Francisco?" E ouviremos a mesma resposta: "É para confundir os sábios e os poderosos deste mundo". A exemplo de Francisco, somos convidados a ter a missão de confundir, apoiando nossa fé não na sabedoria dos homens, mas sim no poder de Deus e testemunhando com nossa vida as palavras do Senhor Jesus: "Aquele que perder a vida por amor de mim, há de salvá-la".

Por: Dom Eduardo Koaik
Bispo Emérito de Piracicaba
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